Obra de reconstrução do calçadão da Praia de Piratininga, em Niterói, é adiada

Frequentadores da Praia de Piratininga vão ter que se conformar em passar o sexto verão consecutivo com o calçadão destroçado. A prefeitura havia anunciado para este mês o início das obras de reconstrução do passeio, que incluíam um muro de contenção em formato de arquibancada, mas recuou e não deu uma nova previsão para a revitalização. O motivo é a necessidade de elaboração de um estudo das condições marítimas que atingem o local, antes de poder dar início à execução do projeto.

A praia guarda as marcas da violenta ressaca que, no dia 28 de abril, castigou o litoral e derrubou novos trechos da orla de Piratininga — que já tinha partes destruídas desde 2011. A restinga e pedaços inteiros do calçadão foram levados e estão interditados deste então, obrigando quem passa por ali a dividir a rua com os automóveis. Um quiosque também teve a estrutura danificada e permanece fechado.

Presidente do Conselho Conselho Comunitário da Região Oceânica, Gonzalo Peres concorda com a necessidade de se refazer o projeto, tendo em vista os últimos estragos provocados pelas ondas.

— Até porque ele foi feito antes do último dano ao calçadão De qualquer forma, insistimos que o calçadão deveria ser recuado, para evitar novos prejuízos. Já avançamos demais sobre a restinga e a areia — avalia.

Morador do bairro, Gabriel Tavares lamenta que a questão se arraste por tantos anos sem uma solução.

— Não só pelo aspecto visual, mas também porque prejudica o cotidiano das pessoas. Quem corre no calçadão evita vir até aqui. Quem traz o filho pra andar de bicicleta também. Acaba diminuindo o movimento na praia — opina Tavares.

Ruínas. Quiosque cuja estrutura cedeu, num dos trechos mais atingidos – Paulo Nicolella / Agência O Globo
A solução apresentada em abril pela Empresa Municipal de Moradia, Urbanização e Saneamento (Emusa) para acabar com os problemas provocados pelas ressacas foi a construção de uma barreira de concreto em forma de escada, semelhante ao da orla do Leblon, cujo formato seria eficiente para dissipar a energia das ondas. O muro seria feito ao longo de 1,6 quilômetro da praia, a partir da altura do antigo toboáqua, e compreenderia cinco quarteirões. Para diminuir o custo da obra, a prefeitura informou que a construção utilizaria pedras retiradas da escavação do túnel Charitas-Cafubá. A obra foi orçada em R$ 9 milhões.

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A prefeitura informou que o projeto apresentado não está descartado, mas depende de estudos para definir se poderá ser validado ou não. Para isso, firmará um termo de cooperação com a Diretoria de Hidrografia da Marinha (DHN), que fará a modelagem matemática da orla para posterior detalhamento do projeto. O termo deve ser assinado até o fim do mês.

O objetivo da modelagem matemática é estudar a dinâmica de correntes e ondas, a topografia, o ecossistema e simular os impactos. A partir do resultado desses estudos, a prefeitura decidirá se faz ou não um recife artificial. Além disso, caso decida pela construção, poderá definir o tipo, a posição e a distância que a estrutura deverá ter da praia. O recife artificial é uma estrutura que faz com que as ondas quebrem longe da beira d’água, diminuindo a força das ondas que chegam até a areia. Além disso, orientará a reconstrução do calçadão e mostrará se o alinhamento dele precisa ser recuado.

De acordo com a prefeitura, após a definição do projeto básico, haverá audiências públicas sobre o modelo que será adotado e sobre o licenciamento ambiental da obra.

Fonte: O Globo
Foto: Paulo Nicolella / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior