Algumas tacadas não vão fazer ninguém virar um Tiger Woods (golfista americano que chegou a faturar US$ 1 bilhão em prêmios e patrocínios em 2009) ou um Adilson da Silva (único brasileiro entre os candidatos a uma medalha no torneio masculino). Mas podem divertir ou, quem sabe, alimentar sonhos de um dia estar entre os melhores. Sem fazer parte das modalidades olímpicas desde 1904, o golfe retornou aos Jogos este ano, num campo na Avenida das Américas, na Barra, apostando na interatividade com o público.
Na quinta-feira, primeiro dia do esporte na Olimpíada do Rio, espectadores puderam ensaiar tacadas num minicampo e em simuladores virtuais. Eles recebiam orientação de praticantes da modalidade. Até o fim das provas, a experiência será gratuita. A iniciativa é da Federação Internacional de Golfe, que também instalou um museu no local contando a história do esporte.
O público era misto. Havia muitos turistas estrangeiros, mas também cariocas e moradores de outros estados. Muitas crianças foram com os pais.
O empresário paulista Ilon Santos, de 50 anos, foi um dos que treinaram no minicampo de golfe. E aprovou a novidade:
— Gostei da iniciativa, a experiência é muito boa. É uma maneira de incentivar o esporte no Brasil. Ainda mais que este espaço vai ser um campo público (após a Olimpíada).
A INFLUÊNCIA DOS VENTOS
Assistir ao vivo a uma competição de golfe pode ser algo novo até mesmo para quem vem de países onde o esporte é mais difundido que no Brasil. Foi o caso do inglês Jack Miller, que viajou pedalando sua bicicleta, juntamente com o filho Jonh Miller, de Maceió até o Rio, onde encontrou o resto da família.
— Até hoje (ontem), só tinha visto golfe pela TV — contou Jack. — Foi uma experiência interessante. Não sabia que o público acompanhava as partidas caminhando por trilhas acompanhando os jogadores.
Além de percorrer as áreas reservadas junto ao campo, o público podia assistir às tacadas por telões. Também podia ouvir a transmissão pela Rádio Golfe (89,1 FM), em português e inglês. Havia ainda a possibilidade de seguir a partida pelo Twitter, através da hashtag #golfradio2016.
Os narradores orientam o público sobre como acompanhar a disputa. Tirar fotos ou torcer em voz alta são práticas desaconselhadas, porque o barulho pode desconcentrar os golfistas. Os narradores também mencionam o currículo dos atletas e explicam as características dos tacos e do campo. Esclarecem ainda a influência do clima sobre o jogo.
— Além de interferir na trajetória da bola, o vento torna a grama mais seca. Com isso, a bola desliza mais. É um desafio — explicou um dos narradores na quinta-feira.
Também para orientar o público, a Federação Internacional de Golfe distribui miniguias em português e inglês, com explicações sobre as regras do esporte e os tipos de tacos empregados. O Comitê Rio 2016 também entrega folhetos aos espectadores, não só com as regras, como com noções de etiqueta, reforçando as mensagens dos locutores. Entre as recomendações, está a de desligar o celular ou mantê-lo no modo silencioso. Não se deve ainda tentar ajudar o golfista pegando a bolinha, “mesmo que ela esteja à sua frente”. Outra explicação é sobre o momento certo de abordar um atleta. “Não peça autógrafos aos jogadores enquanto estiverem no campo de jogo ou se deslocando entre os buracos. Faça isso apenas nas áreas destinadas a essa finalidade”, diz o guia.
Para idosos e deficientes, a organização oferece carrinhos.
O local recebeu ontem também a visita de alunos do Campo Público de Golfe de Japeri. Os jovens, assim como instrutores, ganharam ingressos da Federação de Golfe do Rio, que apoia o projeto social realizado em Japeri. Ele foi criado em 2003 por 15 caddies do Gávea Golf Club.
— Para estes garotos, é uma oportunidade de conhecer uma instalação oficial. É um incentivo para aqueles que se dedicam ao esporte, independentemente de não viverem a realidade social da maioria dos participantes. A gente acredita que alguns possam até mesmo se tornar profissionais — disse o instrutor Jair Mendes.
Fonte: O Globo
Foto: Luiz Ernesto Magalhães
Postado por: Raul Motta Junior