Três dias após o acidente que deixou dois mortos na Ciclovia Tim Maia, ciclistas e pedestres usaram a Avenida Niemeyer como área de lazer, mesmo correndo risco de atropelamento. A Guarda Municipal fez ontem quatro bloqueios na ciclovia, interditando o acesso ao local do desabamento a partir do Vidigal e da subida da Niemeyer. Com isso, muita gente decidiu usar o asfalto para pedalar ou correr — disputando espaço com veículos, que circulavam nos dois sentidos — ou até mesmo caminhar pela mureta.
Como faz aos domingos, o pescador Jorge Souza, de 60 anos, morador da Rocinha, foi andando pela avenida e desceu por um caminho junto à ciclovia para pescar. Ele conta que no dia do acidente estava na área conhecida como Castelinho, perto da Gruta da Imprensa, e saiu 30 minutos antes da queda da ciclovia.
— Eu fui pescar, mas estava com pouco peixe. Uma hora veio uma onda muito alta e eu decidi sair — diz ele, que conhecia o gari comunitário Ronaldo Severino, um dos mortos no acidente.
Já o economista Miguel Ramalho, de 35 anos, foi ontem à Avenida Niemeyer para pedalar. Ele acha que, mesmo após o reparo, vai demorar para ter coragem de voltar à ciclovia.
— Poderia ter sido comigo. Não sei se vou confiar nessa ciclovia. Quem me garante que o reparo será bem feito? Se erraram feio antes, quem me garante que não vão errar de novo?
Fonte: O GLobo
Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior