Teste do VLT enfrenta obstáculos na Avenida Rio Branco ainda em obras

Já passava das 19h desta terça-feira quando o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) partiu da Cinelândia e deslizou sobre a Avenida Rio Branco até chegar à Praça Mauá. Dentro da cabine, o condutor Thiago Gonçalves, de 32 anos, ex-motorista de caminhões e guinchos da Ponte Rio-Niterói, dá a partida e anuncia no microfone: “Senhores usuários, daremos início a nossa viagem”. Mesmo sendo um teste, ele faz todos os procedimentos como se já estivesse recebendo os passageiros.

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Do lado de fora, num Centro de janelas iluminadas e ainda movimentado, olhares curiosos se voltam para o bonde moderno de sete módulos e 44 metros de comprimento. Muitos param na calçada somente para contemplá-lo. Outros logo sacam o celular do bolso e começam a fotografar. Flashes são disparados, enquanto o VLT passa, como se fosse celebridade.

Desde o dia 28 de fevereiro, quando foi realizado o primeiro teste com VLT entre a Rodoviária Novo Rio e a Cinelândia, a cena tem se tornado rotina para os cariocas. Até o fim do mês, quando está previsto o início da operação comercial, deve se tornar mais corriqueira. Mas por enquanto, ainda é novidade. Quando for inaugurado, nove dos 32 trens vão circular da rodoviária até o Aeroporto Santos Dumont, em um tempo estimado de 30 minutos, parando em 18 estações.

Apesar de os trilhos já terem sido instalados nesse trecho, ainda há muitas obras pelo caminho, o que atrapalha a realização dos próprios testes com os trens. Nesta terça-feira, por sete vezes, Thiago precisou parar o VLT para tirar alguma pedra ou resto de obra deixado no meio da via. Na altura da Rua Sete de Setembro, faltou energia. O trem precisou ser desligado e teve que aguardar 15 minutos até retomar a viagem. Apesar dos imprevistos, Thiago não desafinou. Bem concentrado, não tirava os olhos do painel e buzinava quando algum distraído se metia no meio do caminho.

— Temos que ter muita cautela e cuidado com tudo que há ao nosso redor. Como o modal é junto aos pedestres, a atenção precisa ser redobrada — comentou, tranquilo e sorridente, ao final da viagem, que durou 47 minutos, apesar do percurso 1,5 quilômetros de extensão.

O treinamento dos primeiros 28 “motorneiros modernos”, que começou em setembro, entra agora em sua reta final. Antes de conduzir os trens nas ruas do Rio, o grupo passou por um intensivão de um mês na França. Também não faltaram aulas teóricas e testes num simulador virtual. Na próxima sexta-feira, após tantas etapas, Thiago poderá, finalmente, ganhar sua habilitação definitiva para operar o bonde.

— Já estamos bem preparados. Vai dar tudo — disse ele, confiante.

Fonte: O Globo
Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior