“RAUL BARROZO DA MOTTA JUNIOR”
Pesquisadores da Universidade de Maryland (UMD) criaram uma espécie de “roupa íntima inteligente” para mapear todo o espectro da flatulência humana, e descobriram que adultos saudáveis soltam, em média, 32 puns por dia.
De acordo com os cientistas da UMD, ao rastrear o hidrogênio presente nos gases intestinais, o dispositivo ajuda os cientistas a reavaliar antigas suposições sobre a frequência com que as pessoas realmente soltam gases. Ele também abre uma nova perspectiva para a medição do metabolismo da microbiota intestinal no dia a dia.
Durante décadas, os médicos têm lutado para ajudar pacientes com queixas de gases intestinais. Como escreveu o gastroenterologista Michael Levitt em 2000: “É praticamente impossível para o médico documentar objetivamente a existência de gases em excesso usando os testes atualmente disponíveis.”
Para enfrentar esse desafio, pesquisadores liderados por Brantley Hal , professor assistente do Departamento de Biologia Celular e Genética Molecular da UMD, desenvolveram a Smart Underwear — um minúsculo dispositivo vestível que se encaixa discretamente em qualquer roupa íntima e usa sensores eletroquímicos para monitorar a produção de gases intestinais 24 horas por dia.
Em um estudo publicado na revista Biosensors and Bioelectronics: X, uma equipe liderada pelo pesquisador assistente da UMD, Santiago Botasini, descobriu que adultos saudáveis produzem gases em média 32 vezes por dia, aproximadamente o dobro dos 14 (±6) eventos diários frequentemente relatados na literatura médica.
A variação individual da pesquisa, no entanto, foi extrema, com totais diários variando de apenas quatro eventos de flatulência a 59.
Pesquisas anteriores se baseavam em técnicas invasivas em estudos pequenos ou em autorrelatos, que sofrem com a possibilidade de eventos não detectados, memória imperfeita e a impossibilidade de registrar gases durante o sono.
A sensibilidade visceral também varia muito: duas pessoas podem produzir quantidades semelhantes de gases, mas experimentá-los de maneiras muito diferentes. “A medição objetiva nos dá a oportunidade de aumentar o rigor científico em uma área que tem sido difícil de estudar”, disse Hall, o autor sênior do estudo.
*Sob supervisão de AR.