Após três horas de reunião com o Comitê Científico analisando o cenário da crise provocada pelo coronavírus, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, anunciou que vai proibir a população de andar nas ruas sem máscaras, através de decreto municipal, que será sancionado nesta sexta-feira. A medida pretende evitar a disseminação do vírus e vale para todas as pessoas que saírem de casa.
Crivella reforçou o pedido para que a população evite aglomerações e que não saia de casa. Mas caso precise sair, o prefeito deixou claro que será necessário o uso das máscaras. Para os trabalhadores dos serviços essenciais, como mercados, os estabelecimentos serão obrigados a dar a proteção aos funcionários.
“Peço pelo amor de Deus: não se exponha. Não faça aglomeração. Estamos chegando num momento muito crítico e todo sacrifício que fizemos até agora não pode ser jogado fora”
MARCELO CRIVELLA
Prefeito do Rio
— Todas pessoas que saírem às ruas serão obrigadas a userem a máscara. Ela é fundamental. E para dar exemplo, todos os servidores, dos secretários aos garis, serão obrigados a usarem. Além disso, nos próximos dias vamos distribuir mais de um milhão e oitocentos mil máscaras nas ruas. Não são máscaras cirúrgicas, são simples, mas que podem usar. Além disso, os empresários terão que dar máscaras para seus funcionários — determinou.
A prefeitura estuda ainda multar os donos de estabelecimentos essenciais que não oferecerem máscaras aos funcionários. Já os transeuntes sem a proteção serão apenas advertidos:
— Peço pelo amor de Deus: não se exponha. Não faça aglomeração. Estamos chegando num momento muito crítico e todo sacrifício que fizemos até agora não pode ser jogado fora — disse Crivella, antes de responder sobre uma possível punição contra o transeunte que andar na rua sem a proteção: — Punição? A punição será a própria doença na pessoa sendo contaminada. Não é na força da lei que vamos conscientizar. É preciso mostrar a curva e as dificuldades. Falta pouco, daqui a duas ou três semanas estaremos muito melhores.
CTIs estão quase todos ocupados
Nesta sexta, o prefeito atualizou as condições dos leitos de CTIs de hospitais da cidade. Crivella disse que 90% deles já estão ocupados.
— Os leitos de UTI chegaram a um nível que nos preocupa. Eu gostaria de estar aqui dizendo que tudo iria voltar ao normal. Mas, não é essa a nossa realidade. A realidade é que a curva se acentua na nossa rede. Além disso, existem muitos casos de subnotificação — reconheceu Crivella.
Após a reunião, o prefeito destacou a necessidade de diminuir a pressão sobre a rede pública de saúde. Para isso, voltou a pedir para que a população permaneça em casa.
— Precisamos que as pessoas fiquem em casa. Estamos chegando num momento crítico no enfrentamento dessa doença. Todo o sacrifício que fizemos até agora não pode ser jogado fora por imprudência. A curva se acelera e se acentua. Isso preocupa a nós todos nós, principalmente essas próximas duas ou três semanas. Não podemos ter pessoas procurando leito e não ter — disse Crivella, destacando que 300 respiradores chegarão à rede de saúde nos próximos dias.
Comércio segue fechado
Crivella declarou também que vai pedir ao Tribunal de Justiça que não conceda liminares para que estabelecimentos voltem a funcionar neste momento:
— Esse é um momento de grande depressão econômica. Mas, não podemos deixar que lojas fiquem abertas e causem aglomerações, enquanto o nosso Hospital de Campanha e o de Acari funcione a todo vapor. Eu sei que há uma pressão grande, as pessoas falam em desemprego, mas não podemos abrir uma loja que vende apenas chocolate. Temos que evitar aglomerações.
Escolas seguem fechadas
Na contramão do discurso do presidente Jair Bolsonaro na quinta-feira, o prefeito afirmou ser contrário à abertura das escolas.
— Eu gostaria de abrir as escolas, porque no Brasil e no mundo, você não tem crianças mortas por conta da doença, em específico. Porém, nós temos os professores, as merendeiras e funcionários. Nesse momento, embora temos o carinho pelo presidente, na cidade do Rio não temos a condição de abrirmos as escolas. Essas medidas são tomadas pelo consenso do gabinete científico que desde o princípio está nos ajudando a tomar decisões.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: FABIO MOTTA / Agência O Globo