Elas uniram forças e habilidades para fazer um ensaio fotográfico que serviria como portfólio do trabalho de cada uma. Reuniram, então, nove “modelos” entre amigas e familiares. A ideia era retratar mulheres reais, de pesos, alturas e idades variados.
— Queríamos fotografar mulheres iguais a nós, negras que estão na luta — conta a trancista Juliana Marinho, que mora em Del Castilho.
Ao ver o resultado, ela, a maquiadora Dri Mariano, a fotógrafa Joyce Alves, a produtora Geisa Nascimento e a comunicadora Anastácia Nobre, todas também moradoras da Zona Norte, perceberam que tinham algo muito mais valioso em mãos. Uma das modelos, a diarista Juraci Cristina da Conceição, de 60 anos, mãe de Juliana, chorou muito ao se ver retratada.
— Apesar de ter criado minhas duas filhas sozinha, fui muito humilhada na vida e não me sentia capaz. Achava que já era velha e, ao ver as fotos, percebi que tenho valor. Sou uma preta bonita e posso conseguir o que eu quiser — constata Juraci.
A emoção da diarista inspirou Joyce a compor um poema, “Olhar dela”, que acabou virando o título de uma exposição com fotos do ensaio, em cartaz no Museu da História e Cultura Afro-Brasileira. E o grupo virou o coletivo Mulheres Sem Legenda.
— Nada foi planejado. Nós nos reunimos por acaso e resolvemos levar adiante o nosso trabalho. Nossa ideia é ocupar espaços, gerar representatividade e, com a nossa arte, empoderar outras mulheres, negras ou não — afirma Joyce, moradora do Complexo do Alemão.
A mostra, com curadoria das fotógrafas Marcia Costa e Nana Tavares e patrocínio do Feirão dos Cabelos, fica em cartaz até o fim de março, de terça a sábado, das 10h às 18h. A entrada é gratuita.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta junior
Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo