A repressão histórica sofrida pelas mulheres tem reflexos na sociedade até hoje, e uma das principais lutas do feminismo é a busca por maior ocupação no mercado de trabalho. Os avanços são inegáveis, mas ainda existem espaços que precisam de maior atenção, como o caso do mundo literário. Já parou para pensar quantos livros escritos por mulheres você já leu? Foi partindo desse princípio que nasceu o Leia Mulheres.
A intenção do projeto é reunir presencialmente um grupo de pessoas para incentivar a leitura de autoras e fazer uma grande roda de conversa sobre os livros. No Rio, os encontros são realizados sempre na última quarta-feira do mês, às 19h30m, na Blooks Livraria, em Botafogo.
A iniciativa nasceu há cinco anos em São Paulo e já está presente em mais de 120 cidades brasileiras e também no Porto, em Portugal.
Cada filial é responsável por organizar sua própria dinâmica da reunião. No Leia Mulheres RJ, três mediadoras ficam responsáveis por iniciar a conversa, que acontece de forma informal. Litza Godoy, servidora pública e uma das moderadoras do projeto, conta que uma das preocupações delas é que todos possam falar e se expressar.
A escolha das obras também é feita pelas encarregadas de cada cidade. Litza diz que elas tomam muito cuidado em variar tanto os gêneros dos livros quanto as nacionalidades das autoras, para que o maior número possível de mulheres tenha visibilidade. No último encontro, a obra escolhida foi “Um buraco com meu nome”, da brasileira Jarid Arraes.
— Percebemos que se nos deixarmos levar pelo que vemos na mídia acabamos dando preferência às norte-americanas, por exemplo. Então nos preocupamos em variar com brasileiras, africanas, asiáticas, para tirar todos da zona de conforto e gerar diversidade — explica.
Uma pesquisa feita em 2018 e publicada no jornal “The Guardian” mostra que três das principais editoras dos Estados Unidos dedicaram mais de 60% de suas publicações às obras escritas por homens no ano anterior. Por isso, iniciativas como o Leia Mulheres têm atraído público. Para Ju Spohr, outra mediadora do Rio, o projeto é um incentivo para que todas as mulheres entendam que podem fazer tudo o que quiserem.
— O Leia Mulheres é uma forma de empoderamento através de um encontro presencial, com muita literatura e sentimento. É um sopro de esperança e um lugar de fala que abraça mulheres de todas as idades — diz Ju.
Incentivadora do projeto, a Blooks Livraria recebe em torno de 40 pessoas por encontro.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Arquivo pessoal