Blocos do Grande Méier esquentam os tamborins para o carnaval

Quanto riso, quanta alegria… São muitos os blocos que fazem das ruas do Grande Méier um animado salão. Já é (quase) carnaval, e os tamborins estão a todo vapor. Sem a pretensão de arrastar milhares de pessoas, mas, sim, de espalhar alegria no ritmo de Momo, agremiações, em sua maioria formadas despretensiosamente por vizinhos, já se preparam para cumprir a ordem do rei, que, como se sabe, é sambar. E ao contrário do que acontece na Marquês de Sapucaí, não há disputa, muito menos um único campeão. A vitória nessa folia sem contagem de pontos é a união de todos. Foi nesse clima de festa e parceria que aconteceu um encontro pré-carnavalesco, testemunhado pela equipe de reportagem do caderno, entre integrantes dos blocos Amigos da Esquina, Banda do Méier, Tchetcheca, Galo do Méier e Amigos da Joaquim Méier.

Desse grupo, o primeiro a desfilar na passarela do Engenho de Dentro é o Amigos da Esquina. No dia 15, às 17h, os foliões dão início aos trabalhos momescos no cruzamento das ruas Dois de Fevereiro e Pernambuco. Desde 2004 é o carnaval que promove a confraternização de quem mora nessa região, mas tudo começou em meio a uma tradicional pelada. É o que recorda Raimundo Junior, um dos fundadores da agremiação.

— O Amigos da Esquina nasceu quando um grupo de parceiros resolveu transformar um time de futebol em bloco de carnaval. A nossa proposta é reunir famílias e brincar o carnaval em paz. O pessoal do Tchetcheca costuma aparecer e cair no samba conosco. Já aconteceu de emprestarmos a nossa bateria para eles. É assim que funciona, na base da amizade — diz Junior, avisando que o seu bloco sairá também no sábado de carnaval.

No dia 22, a Banda do Méier, criada há 32 anos, dá o ar da sua graça, com concentração às 18h na Rua Manuela Barbosa.

— Quando chegamos na Rua Dias da Cruz, trocamos camisas com a Banda do Mackenzie. O carnaval significa um momento de confraternizar com os amigos — observa José Mário, um dos fundadores da banda.

Quando o domingo de carnaval chegar, a boa é sair atrás da Tchetcheca, que tem ponto de partida, às 17h, na Rua Pernambuco, no Engenho de Dentro. Quem explica o nome inusitado da banda é Roberto Coelho, presença garantida desde 2015, ano em que tudo começou:

— O bloco nasceu de uma brincadeira. Um colega nosso estava com uma namorada nova, altona, bonitona, e brincamos que ele estava com uma tchetcheca. O nome pegou! As famílias do bairro curtem a nossa tchetcheca na maior animação.

No clima do carnaval há espaço até para cantar de galo. Na segunda-feira momesca, o Galo do Méier se concentra, às 17h, na Constança Barbosa. O bloco, que está em seu sexto carnaval, é uma homenagem a um certo “Galinho”.

— Nosso maior sonho é que um dia o Zico venha desfilar conosco. Tem muito rubro-negro no bloco, claro, mas somos ecléticos. Todo mundo é bem-vindo — diz Expedito de Carvalho, um dos fundadores da agremiação.

E para fechar essa festa popular com chave de ouro, o Amigos da Joaquim Méier, criado em 2000, entra em campo, ou melhor, entra na rua que dá nome ao bloco no domingo, 1º de março, às 17h, com trio elétrico, abre-alas, dez bonecos gigantes, musas, princesas e rainhas. No comando, Cezar Paranhos Filho, o Cezinha, presidente da agremiação que tem o maior orgulho de fazer a saideira do carnaval.

— Meu objetivo é levar alegria para o bairro onde nasci e fui criado. Já fico satisfeito. Vamos fazer bonito no encerramento da folia — garante.

Estreante no posto de musa do bloco, Kelly Aguilar é a empolgação em pessoa:

— Amo carnaval e acho desfilar em bloco muito mais animado do que na Sapucaí. Estou tendo aulas de samba no pé para fazer bonito no Amigos da Joaquim Méier.

Veterana no samba, Cristina Fernandes é madrinha do bloco há 13 carnavais. Com passagens na Unidos do Cabuçu e na Lins Imperial, a esteticista é só elogios para a agremiação.

— Se o Amigos da Joaquim Méier não desfila, o carnaval não tem graça — sentencia.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior