Percentual de cariocas insatisfeitos com segurança cai 30 pontos, aponta pesquisa do Datafolha

Com uma queda nas estatísticas de crimes como homicídios dolosos e roubos de veículos, caiu também o número de cariocas insatisfeitos com a segurança pública no Estado do Rio, revela uma pesquisa Datafolha encomendada pelos jornais O GLOBO e “Folha de S.Paulo”. A maioria dos entrevistados — 55% — ainda considera ruim ou péssimo o desempenho do governo de Wilson Witzel na área. O índice, no entanto, é 30 pontos percentuais abaixo do registrado em março de 2018 pelo mesmo instituto. Na época, a intervenção federal para tentar conter a violência ainda não tinha completado um mês, e 85% dos moradores ouvidos reprovaram a atuação do então governador Luiz Fernando Pezão na área. Hoje, a sensação de insegurança também é menor que a verificada em outubro de 2017 (74%).

Entre os que avaliaram a segurança pública em 2017, apenas 5% a consideraram ótima ou boa. Esse índice caiu para 2% no ano passado e, agora, atinge o patamar de 15%. Já os que descreveram, este mês, o desempenho do governo como regular foram 29%.

A Zona Sul, que, historicamente, tem índices de violência menores que o restante do Rio, é a região onde mais gente se mantém insatisfeita: 65% dos entrevistados consideraram a segurança pública ruim ou péssima.

No âmbito geral, a desaprovação também é maior entre as mulheres (64%) que entre os homens (45%). O mesmo acontece na comparação entre os mais jovens e os mais velhos. Na faixa etária entre 16 e 24 anos, 63% criticam a segurança pública, índice que cai para 49% dos entrevistados com 60 ou mais.

Numa conjuntura geral, os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio mostram avanços no combate à violência. Este ano, de janeiro a outubro, houve 21% menos homicídios dolosos no estado em comparação com o mesmo período de 2018. Nos dez primeiros meses de 2019, foram 3.342 assassinatos no Rio (contra 4.226 em 2018). Apesar dos números ainda alarmantes, foi o menor número de vítimas para o acumulado do ano desde 1991.

Na comparação entre janeiro e outubro de 2019 com o mesmo período de 2018, alguns índices de roubos também caíram, como o de veículos (24%), o de cargas (18%) e os de rua (6%).

Troca de cidade
De acordo com o Datafolha, se pudessem, sete em cada dez cariocas (69%) se mudariam da cidade devido à violência. É um patamar parecido com o das pesquisas anteriores (73% em março de 2018 e 72% em outubro de 2017). Esse desejo de ir embora motivado pelo medo atinge a maioria dos moradores de todas as regiões do Rio. Mas, na Zona Norte, onde ficam algumas das comunidades mais conflagradas da capital, como os complexos do Chapadão e do Alemão, ele é maior: atinge 73% dos entrevistados.

Sob o fogo cruzado de facções do tráfico, a região assiste também a um avanço das milícias em bairros como Quintino e Piedade. Em áreas como Cavalcanti, por exemplo, moradores não conseguem receber entregas dos Correios devido à violência, e, em ruas residenciais de Colégio, sequer se consegue chamar um transporte por aplicativo, porque a região é considerada zona proibida.

Mas a dificuldade para ter acesso a serviços não é o único empecilho que a violência continua provocando no cotidiano da cidade. Em todo o Rio, apontou o Datafolha, 39% dos entrevistados informaram que, nas últimas semanas, tiveram que alterar sua rotina diária por causa da insegurança. Desses, 9% deixaram de sair de casa à noite — medida que foi a interferência mais comum entre os ouvidos. Outros 8% mudaram seus trajetos diários, 8% passaram a não mais sair de casa, 5% modificaram seus horários e 4% andam mais atentos e evitam levar pertences para a rua.

Foi na Zona Norte que uma maior parcela da população (44%) teve que adaptar seu dia a dia, contra 30% na Zona Sul. Num recorte por renda familiar mensal, os que recebem de cinco a dez salários mínimos foram os mais afetados (45%).

A pesquisa Datafolha foi realizada entre os dias 11 e 13 deste mês com 872 entrevistados em todas as regiões da cidade do Rio. A margem de erro no total da amostra é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior