Sentar num boteco, beber cerveja gelada e jogar conversa fora. Há tempos que essa é a rotina das amigas Sheila Gomes e Rosana Araujo nos dias de folga. Mas, no ano passado, as moradoras do Engenho de Dentro tiveram uma ideia de unir o útil ao agradável numa empreitada que deu tão certo que ganhou uma segunda edição: neste fim de semana e no próximo, elas estarão novamente à frente do Brechó Bar, uma loja itinerante que vende roupas, sapatos e bijuterias usados, seminovos e até novos por preços convidativos: a partir de R$ 10. A dupla vai ficar a postos das 11h às 17h, no Bar Lounge, para lucrar entre um gole e outro.
— Eu e Rosana gostamos de beber, então comentei com ela que deveríamos montar um negócio que pudesse funcionar num bar e que arcasse pelo menos com o que gastamos com bebida. Foi assim que nasceu o Brechó Bar, em dezembro de 2018. Ao mesmo tempo em que praticamos o desapego pondo à venda peças que não usamos mais, ganhamos um dinheiro legal. Muitos homens compraram presentes para suas mulheres, namoradas, enquanto estavam no bar bebendo. O sucesso foi tanto que logo veio a cobrança para que organizássemos um novo bazar — diz Sheila, que é jornalista.
Para a fisioterapeuta Rosana, o empreendimento da dupla, que pode ganhar novas edições ao longo do ano que se aproxima, teve uma função quase terapêutica:
— O que mais me motivou a criar o Brechó Bar com Sheila foi a minha compulsão por compras. De cem peças novas que boto no guarda-roupa, só uso 20. O restante fica dentro do armário com etiqueta e tudo. Só para se ter uma noção, cheguei a ter 465 pares de sapato. Sou acumuladora, estou em tratamento psicológico para conseguir esvaziar a minha casa, tirar tudo o que não é necessário. Coloco para vender o que não quero mais e também faço muitas doações.
Além de integrar diversão e trabalho, ser instrumento de superação e de promover a sustentabilidade, o Brechó Bar também tem uma função de combate ao preconceito.
— Ainda existem machistas que acham que boteco não é lugar de mulher. Mas é, sim! Se a gente gosta de beber, por que não pode ficar num bar sem ter nenhum homem ao lado? — questiona Sheila, de 40 anos.
Funções sociais do negócio à parte, o Brechó Bar não só conquistou a simpatia dos moradores do Engenho de Dentro como tem tudo para expandir seus horizontes.
— Nós tivemos convite para botar peças em exposição em bares da Barra, mas, por enquanto, vamos ficar só na nossa área. Como nós não vivemos disso, fica difícil encontrar tempo para nos dedicarmos mais a esse trabalho — constata Rosana, de 61 anos.
Se depender de Sheila, o Brechó Bar alçará voos mais altos:
— Ainda é um projeto anual, mas a ideia é crescer, continuar fora de datas festivas.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior