Morte de jovens acende luz vermelha sobre conscientização no trânsito no Estado do Rio

Por trás da morte de cinco jovens, na madrugada de domingo, no Engenho de Dentro, há números que comprovam o quanto a conscientização no trânsito do Estado do Rio precisa aumentar. De acordo com a Operação Lei Seca, de 1º de janeiro a 30 de novembro deste ano, foram flagradas 11.849 pessoas que dirigiam alcoolizadas. No total, houve 2.136 blitzes no período, com abordagem a 266.923 motoristas.

Os jovens morreram após o carro em que estavam bater violentamente contra um muro, na saída 2 da Linha Amarela. Eram oito dentro do veículo. Três ficaram feridos.

Eles saíam, animados, de uma boate na Barra, só que a imprudência deu as caras no estacionamento: após uma breve discussão, todos decidiram entrar num único carro. Às 5h40m de domingo, o veículo em que estavam acelerou na curva que dá acesso à Rua Ramiro Magalhães e colidiu. Nesse instante, a diversão virou tragédia, e aquele trecho do Engenho de Dentro começou a receber uma procissão de pais, irmãos, avós, tios e amigos aos prantos.

Cinco jovens morreram no local. Com idades entre 20 e 25 anos, os ocupantes do carro ficaram presos em meio às ferragens. Sobrevivente, Thamires Carneiro contou que insistiu para que o grupo chamasse motoristas do Uber ou de táxi para irem embora da boate. Dentro do veículo destruído havia várias latas de cerveja.

— Todos estavam bêbados. O acidente aconteceu na curva. Eu pedi para o Alex frear, mas ele acelerou o carro com tudo, e batemos no muro com muita força — contou Thamires, de 20 anos, que sofreu apenas ferimentos leves.

Além do motorista Alex, que também tinha 20 anos, morreram os irmãos Guilherme Moreira (da mesma idade) e Juan Carlos, de 24; Thaissa Castro e Ítalo Ribeiro, ambos de 21. Os outros sobreviventes são Douglas Silva, de 21 anos, e Juliana Oliveira, de 25. Assim como Thamires, os dois foram levados para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, e já receberam alta.

Parentes de Ítalo, que morava na Praça Seca, em Jacarepaguá, chegaram cedo ao local da tragédia. O pai dele também morreu em um acidente de trânsito. Emocionado, o empresário Antônio César Ribeiro, tio do rapaz, manifestava preocupação.

— A mãe dele está desesperada. Perdeu o marido e o filho da mesma forma trágica. Ítalo era filho único — contou Antônio César.

Thaissa era a namorada de Ítalo. Segundo seu irmão mais velho, Thiago Castro, o choque para a família foi imenso porque ela sempre foi uma jovem muito responsável.

— Ela sempre foi muito estudiosa e trabalhadora. Thaissa se formou em Educação Física e estava fazendo mestrado para dar aula a crianças especiais. Por isso, não conseguimos entender como uma tragédia dessa aconteceu. Minha irmã sempre teve uma conduta exemplar — disse Thiago.

O acidente aconteceu na altura do número 745 da Rua Ramiro Magalhães. Gisele Cristina Fontoura, que mora em frente ao local da tragédia, contou que a colisão foi tão forte que um pedaço do carro passou por cima do muro de sua casa, indo parar no quintal:

— Acordei muito assustada com o barulho, pulei da cama. Uma menina gritava, desesperada. Quando vi os corpos e o carro estraçalhado, comecei a chorar. Aqui acontecem muitos acidentes, mas nunca tinha visto algo tão horrível na minha vida. Não vou conseguir esquecer aquela cena.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior