A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro ( Alerj ) aprovou em segunda discussão, na tarde desta quarta-feira, o Projeto de Lei 1305/2019 que tomba a Cobal do Humaitá . O texto é de autoria de autoria do deputado Eliomar Coelho (PSOL) e tem coautoria dos deputados Luiz Paulo (PSDB) e André Ceciliano (PT). A proteção, no entanto, não vale para a unidade do Leblon . Os dois espaços pertencem ao governo federal , que pretende se desfazer dos terrenos. De acordo com o texto, apenas as divisórias internas dos boxes e o gradil que cerca o terreno do imóvel não foram tombados. O projeto de lei, agora, segue para análise do governador Wilson Witzel , que tem 15 dias para vetar ou sancionar a lei.
Se aprovada, a lei será mais uma proteção à Cobal do Humaitá, que já é tombada a nível municipal. Em novembro de 2011, o então prefeito Eduardo Paes editou um decreto tombando a Cobal do Humaitá e a do Leblon. Na justificativa, o município considerou “o valor cultural das edificações e a importância de se preservar marcos culturais e arquitetônicos”. O decreto também considerou que o projeto de arquitetura para abrigar estes hortomercados foi premiado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil. De acordo com o decreto, qualquer intervenção física que venha ser realizada nos imóveis deverá ser previamente aprovada pelo Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro.
— Trata-se de discutir um pouco a cidade do Rio de Janeiro e o bairro de Botafogo. Quem conhece sabe que provavelmente é o único bairro da Zona Sul que não tem aquele espaço em que os amigos e famílias podem sentar. É um espaço de encontro. Oxigena o bairro de Botafogo não só pelo espaço que existe, mas também pela alegria daqueles que lá frequentam — afirmou o deputado Eliomar Coelho (PSOL), autor do projeto.
Leia: União estuda se desfazer de unidades da Cobal do Humaitá e do Leblon
Coelho acrescentou que, com o tombamento, o espaço passa a estar protegido caso o governo federal leve adiante a ideia de vender os dois empreendimentos:
— Quando você tomba está garantido a preservação e a manutenção. É claro que o estado deverá zelar pela preservação e a manutenção do espaço.
Luiz Paulo acrescenta que os deputados levaram também em consideração a possibilidade de a Cobal ser derrubada para dar lugar a um edifício:
— A Cobal tem uma alma a ser preservada. É um patrimônio da comunidade que precisa ser preservado. O que não falta na Zona Sul da nossa cidade são os famosos espigões que superlotam de pessoas cada logradouro, tiram o lazer coletivo, tiram a vida de bairro e, com isso, também eliminam o nosso processo de troca cultural que ganha vida também na rua, nos centros de bairro.
Cobal do Leblon não foi tombada
O tombamento do espaço ocorre um mês depois de o GLOBO mostrar que o governo federal avalia se desfazer dos terrenos onde hoje funcionam as unidades da Cobal do Humaitá e do Leblon. Atualmente, os dois complexos comerciais são administrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mas, para a empresa pública, os empreendimentos não são rentáveis à União. Além disso, os contratos são complexos. Entre as opções sobre a mesa, está a de repassar a administração para a prefeitura do Rio ou para o governo do estado. Também há a possibilidade de revisão dos contratos para entregar as áreas à iniciativa privada.
Eliomar Coelho explicou que a Cobal do Leblon não foi incluída no projeto porque, segundo ele, já está desativada:
— A situação do Leblon é diferente, já está totalmente desativada, abandonada. No Humaitá ainda tem uma vitalidade econômica.
A Cobal do Huimaitá, inaugurada em 1971, hoje vive com a sujeira acumulada nos corredores, falta de manutenção nos banheiros, fiação elétrica emaranhada e infiltrações. Pelas contas da associação de lojistas, 53 dos 84 estabelecimentos do centro comercial estão fechados.
Dona de uma cafeteria na Cobal do Humaitá e integrante da associação de lojistas do espaço, Vera Podiacki, de 70 anos, comemorou a decisão:
— A notícia caiu como uma luva. Ela é o nosso quintal. Não é apenas um aglomerado de lojas, é um espaço cidadão onde as pessoas se encontram e que foi completamente abandonado pelo poder público a nível federal, que vem se desfazendo do local porque deixou claro que não quer mais continuar com esse espaço.
Na Cobal do Leblon, inaugurada em 1972, o cenário é semelhante ao visto no Humaitá. A fachada está pichada, há pisos quebrados, o teto mostra sinais de deterioração. Em plena manhã de segunda-feira, poucas lojas abriram as portas. Dos 128 espaços, entre lojas e boxes, disponibilizados para comerciantes, mais da metade deixou de funcionar, de acordo com estimativa dos remanescentes. Os que ainda acreditam que dias melhores virão reclamam da Conab e tentam se mobilizar para impedir o encerramento de suas atividades.
Segundo o vice-presidente da associação de lojistas da Cobal do Leblon, João Maximino, disse que foi pego de surpresa com a votação da Alerj, e garantiu que os comerciantes vão pedir o mesmo benefício:
— Fomos pegos de surpresa. Vou entrar primeiro em contato com a associação do Humaitá para saber como foi o trâmite e vamos falar com nossos deputados para saber como eles vão nos ajudar, qual solulção darão para que possamos fazermos isso ( o tombamento ).
Procurado, o governador Wilson Witzel informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que tem 15 dias para analisar o projeto e decidir se vai sancionar ou vetar.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior