Curso de cinema da UFF vira Patrimônio Cultural Imaterial de Niterói

Com 51 anos de existência, o curso de cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF) foi declarado pela prefeitura Patrimônio Cultural Imaterial do município de Niterói . Criada pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos , a faculdade, que surgiu em meio ao conturbado cenário da ditadura militar, é uma das mais conceituadas do país.

Autor do projeto que deu origem à lei de reconhecimento, o vereador Leonardo Giordano (PCdoB) acredita que o título abrirá portas para políticas públicas de investimento no curso:

— O cinema da UFF é uma referência em audiovisual no Brasil, é locação para muitos filmes e tem nomes expressivos que passaram por lá, como o do próprio fundador. Então, queremos cada vez mais estimular essa indústria que tem uma importância fundamental para a cultura e geração de emprego na cidade. Esse conjunto me fez propor essa lei.

A coordenadora do curso, Elianne Ivo, avalia que o título premia um esforço que, há anos, busca aliar cinema e educação. Para ela, a visibilidade que o departamento tem ganhado contribuiu para a honraria.

— Já participamos de diversos festivais, como o de Cannes, na França, o de San Sebástian, na Espanha, e de Guadalajara, no México. Outro elemento que ajudou foi a trajetória bem-sucedida de nossos alunos egressos — declara Elianne.

O ex-aluno Allan Deberton, que se formou no segundo semestre de 2010, é ninguém mais, ninguém menos do que diretor e um dos roteiristas de “Pacarrete”, produção premiada, em agosto, como melhor filme no 47º Festival de Gramado. A história se passa em Russas, interior do Ceará, de onde o cineasta saiu para estudar na UFF.

— Trata-se de um projeto que começou no início do meu curso. O aprendizado dentro da universidade foi fundamental para que eu acreditasse neste sonho de fazer cinema. Sinto-me muito honrado em ter me formado na UFF. É um curso que propõe pensamento livre sobre cinema, com ferramentas de prática e oportunidade de conhecer diversas pessoas incríveis — conta Allan.

Alunos ilustres
O quadro de ex-alunos da UFF inclui os diretores Rosane Svartman, Bruno Vianna, Eduardo Nunes, Gustavo Acioly, Eduardo Valente e Sérgio Goldenberg, um dos autores da última versão de “O rebu” e que, desde 1995, é roteirista da TV Globo.

Em 1968, o curso de cinema da Universidade de Brasília (UnB) foi fechado pela ditadura militar. Com isso, Nelson Pereira dos Santos, que fazia parte do corpo docente da instituição, mudou-se para Niterói e propôs ao então reitor da UFF, Manoel Barreto Netto, a criação um curso similar ao da capital federal.

A proposta foi aceita e, em maio daquele ano, Nelson ficou responsável não só por criar o curso de cinema, mas o Instituto de Arte e Comunicação Social (Iacs), incluindo jornalismo e publicidade.

No início, além de não haver câmeras, as aulas da faculdade aconteciam no Cine Arte UFF e resumiam-se à exibição de filmes e palestras de profissionais do universo da sétima arte.

Atualmente com 20 professores, sendo 19 doutores, com atuação na produção e na academia, o curso se destaca por aliar teoria à prática, abordando a história do cinema e do audiovisual, técnica e formação profissional, realização e projeto experimental.

A Secretaria municipal da Cultura informa que, com a sanção da lei 3.439, que tornou o curso de cinema Patrimônio Cultural Imaterial da cidade, publicada em Diário Oficial no último dia 8, o município pode estabelecer ainda mais parcerias com a universidade.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior