Com pedágio a R$ 2 na Linha Amarela, prefeitura pode ter rombo de mais de R$ 20 milhões por ano se assumir a via

O prefeito Marcelo Crivella pode ter que gastar R$ 21,4 milhões por ano em subsídios para manter a Linha Amarela com pedágio de R$ 2 (cobrado num único sentido), caso consiga levar adiante o plano de encampar a via . Esse dinheiro seria suficiente, por exemplo, para pagar por um mês 21 equipes de saúde da família, como aquelas que a prefeitura extinguiu em 2018 para cortar despesas .

Os cálculos foram feitos pelo economista André Luiz Marques, do Insper. A projeção tomou como base os custos operacionais da via, em 2018, divulgados no balanço da concessionária.

Ano passado, a operação da via consumiu R$ 62,4 milhões para garantir infraestrutura a mais de 4 milhões de veículos que pagaram pedágio nos dois sentidos. Com a cobrança única de R$ 2, a arrecadação chegaria a, no máximo, R$ 40,8 milhões. O rombo anual seria de cerca de R$ 20 milhões.

Só para manter as pistas em bom estado, foram gastos R$ 10,6 milhões, enquanto que a conta de luz chegou a R$ 3,9 milhões. As despesas com pessoal foram de R$ 25,4 milhões.

— Se não quiser ter prejuízo, a prefeitura teria que cortar despesas em algum lugar. Uma das minhas preocupações é em relação à manutenção. Basta ver o estado de conservação de outras vias do Rio — disse Marques.

Na quarta-feira, a juíza Regina Lúcia Chuquer de Almeida Costa de Castro Lima concedeu liminar em favor da Lamsa. A empresa reassumiu a operação da Linha Amarela e voltou a cobrar a tarifa de R$ 7,50. Na véspera, a prefeitura tinha aberto as cancelas e assumido a operação, alegando que havia concluído a encampação. O ato foi considerado ilegal pela Justiça

Questionada sobre as contas, a prefeitura informou apenas que ‘‘vai insistir para derrubar essa exploração e reduzir (o pedágio) a um valor justo”.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior