Vidas que cabem numa bolsa: a bagagem dos moradores de rua

Todas as noites, sob uma marquise no Centro, Jorge Roberto da Costa Machado, de 34 anos, folheia “Cenas da vida gaúcha”, um jeito de manter na memória a terra natal. O livro está sempre com ele, que desembarcou no Rio para ser gerente de um hotel em Santa Teresa. No coração, Jorge Roberto carrega Pelotas, de onde veio, e, na mochila, o pouco que juntou desde que seus sonhos se esparramaram pelo chão em que passou a dormir. Os reveses da cidade após a Olimpíada de 2016 mudaram a sorte do Rio, e Jorge Roberto virou morador de rua.

Mas, afinal, o que guarda quem perambula pela cidade? O GLOBO encontrou respostas surpreendentes para a pergunta. A bagagem conta a história de quem a leva, do lugar em que vive e também um pouco de todos nós.

Carlos Ulisses Gomes Figueira, de 56 anos, já trabalhou na Odebrecht e recebeu salário de R$ 10 mil. Hoje, dorme na Avenida Marechal Câmara, no Centro, com seu passaporte, na bolsa.

Ênio Santos, de 59 anos, também chegou do Sul. Especializado em restauração de prédios antigos, já trabalhou para várias prefeituras, inclusive a do Rio. Carrega com ele um pendrive com mais de mil imagens dos bons tempos do trabalho. Viajou muito. Hoje, tem poucas coisas: as fotos, preservativos e uma tampa para garrafas de vinho.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior