O ronco alto das motocicletas anuncia o que está por vir. Com jaquetas de couro, joalheria em abundância (os motivos fúnebres estão entre os prediletos) e barbas generosas, eles não passam despercebidos diante da multidão. Não que almejem discrição e anonimato. Pelo contrário, suas pegadas podem ser comumente encontradas em Cabo Frio. Os Tubarões são o motoclube mais famoso da cidade e organizam há 20 anos um dos encontros mais importantes do gênero.
O evento, realizado sempre em julho, na Praia do Forte, reuniu, no ano passado, 60 mil pessoas em quatro dias. Além de assistir aos shows e aproveitar as comidinhas especiais, os motociclistas (muitos vindos até da Argentina) podem aproveitar para comprar itens específicos. Apesar da popularidade, ser aceito na panelinha seleta pode ser uma tarefa bem difícil, como explica o presidente do grupo, Augusto Aquino.
Primeiro é preciso ser convidado por um membro antigo do clube. Depois exige-se ter uma moto com mais de 600 cilindradas para acompanhar as viagens. São, no mínimo, seis delas por ano, para lugares tão diversos quanto o Mato Grosso do Sul, Buenos Aires e Tiradentes. Por fim, é necessário comparecer aos eventos, pagar as mensalidades e participar das ações solidárias. Tudo isso demora, no mínimo, quatro anos, com pedaços do patch (o escudo costurado nos coletes de couro) adicionados a cada ano.
Batizado em homenagem aos aviões da Segunda Guerra Mundial, os Tubarões têm 39 integrantes, todos homens, com idades que giram em torno dos 40 anos. O grupo se formou em 1992, numa viagem com amigos para Belo Horizonte. Para Aquino, não há meio de transporte melhor.
— A Região dos Lagos tem estradas lindas e você não morre de calor no verão — diz ele.
Fonte: O GLobo
Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior