Jacarés-de-papo-amarelo resistem às margens da Lagoa de Itaipu

Um dos rios que cortam a Região Oceânica leva o seu nome, Jacaré, mas a presença dos animais em Itaipu ainda soa para muitos moradores, até para os mais antigos, como uma lenda urbana, como aquela letra de Zeca Pagodinho: “Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar.” Mas o fato é que eles estão entre nós, às margens de rios — sobretudo no João Mendes —, e de canais que alimentam a Lagoa de Itaipu. Pode parecer assustador, mas ambientalistas explicam que encontrar a espécie — jacaré-de-papo-amarelo — por ali é motivo de comemoração, sinal de mais biodiversidade e de que um importante elemento da cadeia alimentar resiste às mudanças. São indicadores de melhoria na qualidade de água dos rios? Nem tanto.

— É precipitado dizer que o aparecimento de jacarés é um indicativo de qualidade. Outro dia encontraram um num valão em São Gonçalo, lugar inimaginável para sobreviverem. É uma espécie que mostrou grande capacidade de adaptação, de resistência a essas transformações, como resposta para não ser extinta — explica o professor de Medicina de Animais Silvestres e Zoologia da UFF, Sávio Freire.

Na Lagoa de Itaipu, eles são encontrados com frequência, mas é preciso procurá-los com atenção. Como são animais de água doce, vivem à beira dos rios, mas são desconfiados e, ao menor sinal de ameaça, mergulham e somem na água escura.

O coordenador de Pesquisa, Monitoramento e Manejo de Ecossistema do Parque Estadual da Serra da Tiririca (Peset), Felipe Queiroz, acompanha os jacarés-de-papo-amarelo no entorno da lagoa e diz que já foram identificados oito indivíduos:

— Temos visto alguns filhotes, sinal de que estão se reproduzindo e se estabelecendo no local.

Um jacaré-de-papo-amarelo, às margens do Rio João Mendes – Agência O Globo
Os jacarés-de-papo-amarelo podem chegar a três metros de comprimento e impõem respeito pelo tamanho e pela aparência, semelhante a certos dinossauros, seus parentes pré-históricos. Por muitos anos, esteve na lista de espécies ameaçadas de extinção. A caça indiscriminada, a degradação do habitat e a perseguição pelo estigma de ser um animal violento, conta o professor da UFF, foram os responsáveis pelo seu quase desaparecimento. Mas, apesar de serem carnívoros, especialistas garantem que eles não representam ameaças para as pessoas e que não há registro de ataques a humanos no estado do Rio.

— Desconheço qualquer ataque. Não é uma espécie que demonstra agressividade, a não ser que seja molestada a ponto de ter que se defender — alerta Freire.

Queiroz reforça:

— É um predador, mas, aqui, alimenta-se de animais como caranguejos, aves, outros répteis e pequenos mamíferos.

Além do patrulhamento noturno, guarda-parques realizam um trabalho de educação ambiental nos condomínios no entorno da lagoa. O objetivo é informar que ali é o habitat desses animais e pedir que moradores denunciem se observarem caça no local.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior