A festa será de arromba neste sábado, a partir das 20h, no palacete do Parque Lage , mas desta vez um dream team da bossa nova é que animará a terceira edição de uma badalada noite beneficente que vem se firmando no calendário carioca. No pátio da piscina, quatro compositores e protagonistas de um dos movimentos musicais mais importantes do mundo estarão juntos no palco: Carlos Lyra, Roberto Menescal, João Donato e Marcos Valle.
Menescal adianta que o repertório será formado por composições inéditas e recentes, além dos grandes clássicos de cada um.
— Será uma noite para quem gosta de cantar e dançar. Nosso entrosamento é grande no palco e fora dele — diz.
O clima de reencontro entre velhos amigos promete contagiar e tornar a noite inesquecível. Carioca de Copacabana, Carlos Lyra conta que ele e Menescal estudaram juntos no Colégio Mallet Soares:
— Ou melhor, matamos aulas juntos. Logo no primeiro dia, levei o Menescal para a minha casa. Começamos a tocar juntos e nunca mais paramos.
João Donato, o mais animado na hora das fotos, não esconde o prazer de tocar no Parque Lage:
— Será incrível fazer um show ao lado de amigos e em um lugar como esse, que, com tanto verde em volta, lembra o meu Acre.
O músico Rodrigo Sha fará o encerramento da noite, ao lado do DJ Marcelinho da Lua. A dupla, que tocou por mais de 15 anos com o grupo Bossacucanova, é precursora do Live PA no Brasil. Aliás, no dia da entrevista e da sessão de fotos, Marcos Valle não pôde comparecer. E aí a brincadeira com os cabelos e os inseparáveis óculos de Sha acabou sendo inevitável. A turma não perdoou.
— Bota ele na foto de capa que ninguém vai perceber que não é o Valle —comentou Lyra, rindo.
Esta será a terceira edição do evento que arrecada fundos para a instituição. A última teve Ney Matogrosso como estrela. Em 2107, os convidados dançaram ao som de Mãeana, a cantora Ana Cláudia Lomelino. Os ingressos, que custam R$ 950, estão à venda no site www.eav-parquelage.byinti.com/.
Renda revertida em bolsas e projetos
Fundada pelo artista Rubens Gerchman em 1975, a Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage já deu lugar a importantes performances e exposições históricas. Até 20 de outubro, estará em cartaz uma mostra coletiva que tem promovido um entra e sai constante pelos portões de ferro da instituição. Podem ser vistos, até 20 de outubro, trabalhos de Luiz Zerbini e de cinco ex-alunos: Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Ernesto Neto e Laura Lima. Antes, a mostra “Arte Naif — Nenhum museu a menos”, que terminou em julho, atraiu 32 mil visitantes.
A noite do dia 21 será de de festa, com direito ao bufê de Pedro de Artagão, mas terá também alguns minutos de seriedade. Diretor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Fabio Szwarcwald pedirá a palavra para apresentar os planos da instituição para o ano que vem, além de compartilhar com o público as últimas conquistas e realizações.
—É o momento de apresentar à sociedade todo o trabalho realizado. É importante instigar as pessoas a conhecerem e ajudarem o Parque Lage —diz o diretor.
Em números líquidos, a noite beneficente do ano passado arrecadou R$ 90 mil. Com o valor obtido em 2018 foi possível dobrar o número de bolsas.
— No primeiro ano, conseguimos recursos para 25 alunos. No segundo, foram 50. Agora, além das bolsas, queremos dar auxílios transporte e alimentação. Um terço dos alunos não consegue completar o curso de nove meses por falta de recursos — explica o diretor da EAV.
Além das bolsas concedidas pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage, o valor arrecadado é utilizado para a manutenção da instituição e para a compra de equipamentos. À frente da EAV desde 2017, Szwarcwald não faz cerimônia nas tentativas de despertar o mecenato carioca. Na noite do dia 21, 400 convidados curtirão a noite regada a bossa nova.
— É uma oportunidade única de celebrar a arte, bem debaixo do suvaco do Cristo, em um palacete histórico. Em São Paulo, existem mais de dez noites beneficentes com ingressos por volta de R$ 3 mil.
Ano passado, ele conseguiu trazer ao Rio a exposição “Queermuseu”, após ela ter sido censurada em Porto Alegre e vetada no Museu de Arte do Rio (MAR) pelo prefeito Marcelo Crivella. Ela foi custeada por uma campanha de financiamento coletivo recorde, que teve arrecadação de R$ 1,08 milhão, incluindo doações realizadas por 1.677 colaboradores, vendas de obras doadas por 70 artistas e ingressos para um show de Caetano Veloso.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior