O suicídio é uma das principais causas de morte no país, ocorrendo em sua maioria entre jovens na faixa de 15 a 29 anos, segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). O assunto é uma preocupação permanente, mas durante o mês de setembro ganha uma visibilidade maior. O Setembro Amarelo é a campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio , e quando se intensificam as ações de conscientização.
Hoje, que é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio , o Cristo Redentor vai ganhar a cor amarela , às 18h. Já o Centro de Valorização à Vida (CVV), que criou a campanha em 2015, está com inscrições abertas para quem quer ser voluntário e doar um pouco do seu tempo para ouvir o outro. Na Zona Sul, o curso será realizado pela unidade de Copacabana, sábado, das 8h30m às 17h, no Centro Paroquial Dom Hélder Câmara, no Leblon. As inscrições devem ser feitas pelo e-mail copacabana@cvv.org.br.
— Será um primeiro contato para que a pessoa possa conhecer a filosofia do trabalho. Depois ela passará por um treinamento de 12 semanas até começar a atividade voluntária, que é de quatro horas semanais. Costumo dizer que é um treinamento de escuta que vai aprimorar a capacidade de oferecer uma conversa acolhedora, receptiva e sem julgamentos — explica Patrícia, uma das voluntárias (sobrenome e profissão não são divulgados).
Manifestações artísticas e culturais em nome da vida
A convocação para jogar luz sobre o tema suicídio se dará por diferentes canais neste Setembro Amarelo, como forma de atingir os públicos mais diversos. Pelo viés da arte, o espetáculo teatral “Na hora do adeus”, que estreia quarta na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, chegará para somar forças. Dirigidos por Daniel Dias da Silva, os atores Marcus Tardin e Kenny Alberti falam sobre temas delicados como culpa, depressão e suicídio, de forma leve e bem-humorada, com mensagens de força, encorajamento e superação. O texto é de Jarbas Capusso Filho.
— É uma contribuição artística para falar da necessidade de esclarecimento, orientação e amparo às vítimas deste mal silencioso que atinge milhares de pessoas, que vivem em condições “aparentemente normais”, mas que em sua intimidade convivem com o horror desta doença devastadora que é a depressão — analisa Tardin.
Após as apresentações haverá um breve bate-papo com a plateia para criar um diálogo aberto e coletivo sobre os assuntos abordados. O espetáculo é apresentado às quartas e quintas, às 20h, e fica em cartaz até dia 26.
Uma outra manifestação também promete chamar a atenção para a prevenção ao suicídio. Marcada para o dia 22, às 11h, a 24ª Parada do Orgulho LGBTI+ Rio, realizada na orla de Copacabana, não vai abrir mão de seu tradicional bandeirão colorido de 120 metros. Mas, desta vez, dará espaço para uma outra bandeira, de 30 metros, na cor amarela.
— Entre a população LGBTI, o suicídio é cinco vezes maior que a taxa comum. Isso significa que essa população é altamente oprimida, e isso influencia diretamente na questão da sua autoestima. A gente precisa falar sim sobre o Setembro Amarelo, sobre a questão da saúde e, principalmente, sobre a saúde mental — afirma Julio Moreira, diretor sociocultural da ONG Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT (GAI), que organiza a parada.
Esta edição, que começará às 11h, terá o tema “Pela democracia, liberdade e direitos: ontem, hoje e sempre”.
— Vamos para a rua celebrar o orgulho e a vida. Com recurso ou sem recurso, é importante estarmos juntos, ninguém pode soltar a mão de ninguém. Vamos lutar por justiça, por direitos e, principalmente, pelo amor — diz.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Divulgação