Orquídeas são tema de exposição no Jardim Botânico até domingo

A beleza e a resistência de uma carioca ilustre vai ser homenageada até domingo no Jardim Botânico . A hoje rara Laelia lobata , espécie de orquídea natural da cidade, estará presente na exposição Orquídeas na Primavera, que acontecerá no Orquidário do parque das 8h às 17h.

Promovida pela associação de orquidófilos OrquidaRio há 22 anos, a exposição reúne 500 exemplos de orquídeas naturais de diversas regiões do Brasil e do mundo. um dos destaques é a Angraecum sesquipedale , que foi estudada pelo naturalista inglês Charles Darwin. Como ela possui néctar em uma área bem alongada, Darwin previu que teria de existir um inseto capaz de conseguir alcançá-lo.

— Riram dele na época. Mas, anos mais tarde, descobriu-se que o inseto Xanthopan morgani praedicta , de Madagascar, tinha uma língua capaz de chegar no local — disse Carlos Gouveia, um dos orquidófilos julgadores da exposição.

Os visitantes também poderão ver algumas das 200 espécies que são naturais do estado, como as Sophronitis , de Nova Friburgo, na Serra Fluminense, e a Cattleya intermedia , que aparece nas restingas da Região dos Lagos. Além disso, a exposição reunirá 40 espécies que existem da cidade, como as Acianthera pectinata e Lankesterella ceracifolia . A carioca da gema Laelia lobata , que é a homenageada da vez, podia ser vista naturalmente em vários pontos do Rio, como o costão do Pão de Açúcar antes da construção do bondinho, no início do século XX. Hoje, elas ainda resistem lá e em outros morros da cidade, mas em áreas bem mais afastadas.

— Hoje, para vê-la lá, só sendo alpinista ou com drone. As demais foram desaparecendo de seu habitat por causa da ação de mateiros que tiravam as plantas para vendê-las nas ruas, pelas queimadas, pela especulação imobiliária e pela coleta indiscriminada — disse o presidente da OrquidaRio, Edson Cherem.

A exposição, que tem estandes com venda de orquídeas e workshops gratuitos de cultivo a cada duas horas, também fala da importância de se mantê-las em evidência, seja pela ação de laboratórios que realizam cruzamentos que fortalecem a genética de cada uma — como no caso da asiática Phalaenopsis — seja pelo cultivo atual delas em troncos de árvores da cidade, principalmente, nas zonas Sul e Oeste da cidade.

— Têm pessoas acham que ela é um parasita, mas não é. A planta faz uma simbiose com um fungo chamado micorriza, só usando a árvore para conseguir alcançar mais a luz solar. A água ela também capta na própria umidade no ar. Quando você não a molha, ela abre estômatos debaixo de suas folhas. É mais fácil matar uma orquídea por excesso de água do que pela falta — disse Edson.

A mostra também avalia as plantas dos orquidófilos participantes que possuem as melhores formas e cultivos, dando prêmios aos cultivadores para cada uma das 75 categorias. O primeiro colocado no concurso ganha uma escarapela (espécie de insígnia oferecida a vencedores).

A orquídea é considerada a flor com maior diversidade de cores e formas na natureza. Hoje, existem 25 mil espécies da flor no mundo. Ela só floresce, em média, após 5 anos de cultivo.

— Ela precisa, basicamente, de qualidade, ventilação, água como todo ser vivo e adubação pois, assim como nós, uma planta bem alimentada não adoece. Ela pode ser cultivada em quintais ou até em apartamentos, como muitos de nossos sócios fazem — explica Edson.

Fonte: Globo
postado por: Raul Motta Junior