Surfistas de peito encaram ondas raras na Baía de Guanabara

Uma turma de surfistas resolveu encarar no peito e na raça as ondas gigantes da chamada Laje da Besta, na entrada da Baía de Guanabara . Quatro atletas de bodysurf – o famoso “jacaré”, praticado sem prancha -, que vinham monitorando deste terça-feira passada o swell raríssimo na Baía, se jogaram no mar neste domingo, entre os fortes São João e da Laje, onde as ondulações vêm ultrapassando os três metros . É a segunda vez que essa cena radical, com a galera do bodysurf, se repete ali.

A primeira vez que eles enfrentaram a ressaca na Laje da Besta foi em agosto de 2017. Mas o tamanho das ondulações dificultou a vida dos surfistas na época. Foram dois anos de espera até a tão sonhada onda perfeita na Baía de Guanabara. Desta vez, apesar dos perigos do local, a turma do jacaré encontrou condições ideiais. Os únicos equipamentos usados foram pés-de-pato.

— A gente foi em 2017, mas o mar estava muito grande e era difícil conseguir posicionamento para a gente descer da onda. Tentamos de novo num swell (fenômeno de ondas longas) que teve no ano passado, mas não aconteceu. Nesse swell agora ficamos monitorando o melhor dia. Todo mundo fez vaquinha, cada um deu R$ 100 para pagar o barco, e fomos quatro surfistas e dois fotógrafos. Contamos com a sorte, e encontramos condições perfeitas — conta Julio Cesar Rodrigues, atleta de bodysurf de Copacabana, que integra a turma conhecida como Soul BodySurf.

Essa onda na Baía, onde nesse ponto o fundo é de laje, é considerada uma das mais perigosas do mundo. Um dos fatores que a torna tão temida é a raridade: não é todo ano que elas acontecem.

— Essa onda da Laje da Besta era a cereja do bolo que faltava para a gente. Como é uma onda que não aparece todo ano, não há treinamento para ela. Isso torna a prática do esporte um evento extremo, porque ninguém conhece muito bem essa onda — completa Julio Cesar, conhecido como JC Rodrigues, comemorando. – Foi um dia que ficará marcado na história do surfe de peito no Rio.

Com JC, estavam Fabio Eller, o Russo; Carlos Souza, o Guga; e Phelipe Rodrigues, o PH. Acompanharam a aventura os fotógrafos Fernando Amorim, no barco, e Arthur Méier, na água.

O oceanógrafo David Zee, da Uerj, diz que essas ondas perfeitas são resultado de uma conjunção de fatores realmente rara:

– Nós tivemos elevação da maré por causa da lua cheia e ainda sobrelevação do nível do mar com a maré meteorológica, provocada pelos ventos da frente fria. Outro fator é a direção da frente fria, que geralmente vem de sudoeste. Nesta, foi de sul e sudeste, de frente para a boca da Baía, que é um funil e converge toda essa água para aqule ponto entre o Pão de Açúcar e o Forte da Laje – explica o oceanógrafo, acrescentando. – Ali, há uma perda de largura e profundidade, e a massa de água ganha em altura, chegando a ondas de até oito, nove metros. Os surfistas ficam doidos.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior