Ex-ajudante de pedreiro se consagra como revelação da coquetelaria carioca

À frente do bar do novíssimo Garoa Bar Lounge Ipanema junto do bartender e amigo Igor Renovato, o bartender Douglas Henrique transparece uma sincera timidez de menino à primeira vista, mas seus drinques falam por ele. Mais conhecido como Pretinho Cereja, o jovem de 23 anos é cria de Parada de Lucas, na Zona Norte da cidade, e se tornou a nova revelação da coquetelaria carioca. E esse caminho meteórico tem uma “mix” de caminhos, gostos e sensações.

Aos 12 anos, Douglas largou a escola no sétimo ano para ser ajudante de pedreiro em uma obra do bairro. A experiência só durou um mês.

— Eu era muito explorado lá. Em vez de receber R$ 10 por dia, eu recebia R$ 10 por semana. Mas eu precisava de dinheiro — disse o bartender.

Depois, aos 13 anos e a convite de um amigo, passou a trabalhar em feiras livres e começou pelo Méier, onde montava as barracas de madrugada e vendia limões. E assim foi até os 17 anos, quando foi chamado, em 2016, para trabalhar nas obras do Alice Bar, em Botafogo, do mixologista Walter Garin. Depois da obra, ele foi convidado para ser auxiliar de garçom lá. E assim se deu o seu primeiro salto de carreira.

— Fiquei feliz mas não sabia nada daquilo, só falaram que iriam me ensinar. Comecei lavando louça e, em dois meses, fiz minha primeira caipirinha. Depois disso que eu passei a gostar. Daí o Walter me ofereceu um curso de barman e desde então estamos aí — disse Douglas que, antes do trabalho, o único drinque que tomava era cuba-libre (rum com coca-cola e limão).

Depois do Alice Bar, Pretinho Cereja foi parar, há dois anos e meio e junto do amigo Igor, no bar de gim Garoa Bar Lounge, no Leblon, a casa dos sócios Carlos, Mauro e Julio Antelo. Lá, Julio ficou encantado por uma de suas criações, o guapísima, que leva gim, soda de grapefruit, cardamomo e água tônica. Essa experiência sensorial Pretinho aproveitou, em parte, de sua da época de feirante.

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— Por isso eu já sacava que morango com melancia ou manga com laranja eram combinações boas. Também tento seguir o mapa de sabores ou alguma linha, como a dos coquetéis clássicos, daí dentro disso eu vou variando — disse o jovem.

Hoje, além do Garoa de Ipanema, Douglas, que hoje não dispensa um old fashioned (clássico feito com uísque, bitter, laranja, açúçar e cereja) e é fã do Samba do Trabalhador e da Pedra do Sal — onde costuma ser “arrastado” por Igor — pretende também levar um pouco do seu trabalho para o bairro onde mora até hoje e está perto do filho de seis anos.

— Minha mãe abriu um barzinho pequeno lá recentemente e quero levar algumas criações minhas para lá. Hoje, Parada de Lucas já tem bar que vende drinques clássicos, então os meus não vão assustar ninguém — comenta Pretinho Cereja, cujo apelido vem de uma garrafa de licor de cereja que o inspirou a fazer diversas criações, há dois anos, no primeiro Garoa.

RECEITA DO PAMPLONA (criação preferida de Pretinho Cereja):

– 50 ml de vodca Grey Goose

– 10 ml de suco de limão

– 10 ml suco de laranja

– 10 ml vinho fortificado Saint Germain

– 40 ml vinho Rosé com morango

Foto: Gabriel Monteiro

Fonte; O Globo
Postado por: Raul Motta Junior