Enquanto o governador Wilson Witze l anunciava a implantação, com custeio público, do programa Laranjeiras Presente , moradores de outros bairros, que já contam com estudos mais avançados para o projeto, se esforçavam para levantar recursos junto à iniciativa privada. Agora, eles querem o mesmo tratamento e dizem que também vão pressionar Witzel por dinheiro do governo estadual. As comissões de Botafogo, Barra e Recreio falaram da situação.
Em Botafogo, o projeto foi iniciativa de moradores e pais de alunos do colégio Santo Inácio, cansados da recorrência de assaltos na região. Há cerca de dois meses, receberam sinal verde do governo, mas, a princípio, precisariam se engajar junto ao comércio local em busca de recursos.
A presidente da Associação de Moradores de Botafogo, Regina Chiaradia diz que o financiamento privado estava bastante dificultado.
— Agora queremos dinheiro público também no projeto. Conseguimos parcerias apenas para custear carros e uniformes
Integrante da comissão que tenta viabilizar o Botafogo Presente, Gulherme Ospone afirma que ficou “espantado” com o anúncio de Witzel, mas acredita que o programa chegará antes ao seu bairro:
— Estamos num estágio avançado, fazendo reuniões com o batalhão da área, e temos uma grande pressão popular para tirá-lo do papel.
A chegada do programa à Barra também dependeria de apoio privado. O custo anual estimado é de R$13,5 milhões, e, segundo Marcus Balestieri, integrante de uma comissão que tenta implantá-lo no bairro, apenas um shopping sinalizou com aporte financeiro.
— Também vamos cobrar dinheiro do governo para o Barra Presente.
Presidente da Associação de Moradores do Recreio, Simone Kopezynski faz coro:
— Há dois anos, começou essa conversa de Segurança Presente por aqui. Na época, faltou dinheiro. A Barra está fazendo de tudo para conseguir fechar as contas de um projeto que vai custar mais de R$ 12 milhões por ano. Por que em Laranjeiras será de graça? O Recreio, que é tratado como um puxadinho da Barra, embora tenha quase cem mil habitantes e pague um IPTU altíssimo, é outro lugar que merece um olhar diferenciado.
Para o presidente Instituto de Criminalística e Ciências Policiais da América Latina (Inscrim), José Ricardo Bandeira, a expansão do programa pode cuasar polêmicas.
— O contingente da polícia está muito reduzido, alguns batalhões trabalham com um efetivo 50% abaixo do necessário. Assim, para se atender os bairros de maior poder aquisitivo, que conseguem prioridade e financiamento privado, tira-se policiais dos bairros mais carentes.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior