Prefeitura posterga obras em São Conrado e bairro volta a sofrer com inundações

As fortes chuvas que atingiram o Rio no início desta semana deixaram São Conrado, mais uma vez, debaixo d’água. Em várias áreas da cidade, os estragos foram grandes, mas, ali, há um agravante, observam moradores. A prefeitura entregou em fevereiro as obras de reparo na galeria de cintura de águas pluviais do bairro, com a promessa de que isso poria fim aos constantes alagamentos. Mas, na última segunda-feira, a água, que ultrapassou um metro de altura, voltou a invadir residências.

Com a construção da galeria de cintura, em 2016, outras cinco galerias que estavam espalhadas pelo bairro e desaguavam na Praia de São Conrado foram fechadas. Um estudo da Fundação Rio-Águas dizia que o novo equipamento seria suficiente para suportar o fluxo das chuvas. Porém, moradores mais antigos afirmam que foi justamente a partir de sua inauguração que passaram a conviver com enchentes.

De acordo com eles, no início deste mês, em uma reunião entre órgãos da prefeitura e a Associação de Moradores e Amigos de São Conrado (Amasco), ficou acertado que novas intervenções na região seriam feitas. Segundo o advogado Caio Almeida, que mora em uma casa na Rua Julieta Niemeyer, o município se comprometeu a reabrir uma das galerias e realizar novas obras.

— Antes da inauguração da galeria de cintura, nada acontecia. Mas, agora, com qualquer chuva, tudo fica alagado. Desta vez prometeram aumentar a microdrenagem e fazer canais extravasores, para a água poder escoar até as outras galerias quando a chuva for muito forte — diz Almeida.

Ele e sua mulher, a jornalista Fernanda Guaraná, estão hospedados no apartamento de uma amiga, em Ipanema, desde fevereiro, quando outro temporal inundou ruas do bairro, incluindo a Julieta Niemeyer. Sem saber quando será seguro voltar para casa, o advogado critica a postura da prefeitura, que, afirma, havia prometido realizar as obras em caráter emergencial.

— O secretário disse que a intervenção seria em regime de urgência, mas agora a posição da Rio-Águas é que deve haver licitação, o que pode fazer o processo demorar meses — reclama.

Consciente da nova rotina e ainda contabilizando os gastos da chuva de fevereiro, que deixou um prejuízo de mais de R$ 400 mil, Fernando Olinto, síndico do condomínio Conrado Niemeyer, na Estrada do Joá, já encomendou uma comporta para evitar que futuras enchentes danifiquem os equipamentos do prédio. Enquanto o equipamento não chega, ele comprou 350 sacos de areia para colocar na frente da portaria quando a chuva ameaçar inundar o local.

— Estão todos apavorados. Começa a chuva e todo mundo entra em pânico. Na chuva de 6 de fevereiro, perdemos dez carros na garagem do subsolo. Só queremos que a prefeitura abra as galerias antigas — diz.

Em nota, a Fundação Rio-Águas confirmou ter acordado com a Amasco que elaborará, ainda este mês, um projeto relacionando todas as intervenções necessárias para evitar que ocorram novos incidentes decorrentes de enchentes no bairro. Assim que o projeto e o orçamento estiverem prontos, acrescenta, a Secretaria municipal de Infraestrutura e Habitação vai liberar recursos e licitar a obra o mais rapidamente possível.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior