A Arquidiocese do Rio vai pedir à Justiça que conceda uma autorização para que ela passe a administrar a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, no Centro do Rio. O templo, um dos mais antigos e importantes da cidade, foi interditado na semana passada, a pedido do Ministério Público Federal, por má conservação e risco de incêndio.
— A gente espera autorização judicial para que a Arquidiocese possa efetivamente administrar a igreja e fazer o possível para restaurá-la. A Arquidiocese tem todo o interesse em que a Igreja reabra o mais rápido possível — disse a diretora jurídica da entidade, Claudine Milione, ao RJ-TV, da Rede Globo.
A construção, na Rua Uruguaiana, tem 283 anos e foi catedral da cidade por 70 anos. Foi a primeira igreja a receber a família real portuguesa na sua chegada ao Rio, em 1808. Toda a glória, no entanto, ficou no passado. Em 1967, um incêndio destruiu a decoração em estilo barroco. Atualmente, o templo sofria com o descaso: segundo a reportagem do RJ-TV, dias antes da interdição, era possível ver a fiação exposta, infiltração e pedaços de reboco caindo sobre os bancos.
Representantes da irmandade, que fundou a igreja no início do século XVIII e até hoje é a proprietária do imóvel, se dizem falidos. Eles foram intimados, mas não compareceram às audiências do Ministério Público.
No mesmo prédio, fica o Museu do Negro, que também foi fechado. O diretor do espaço, Ricardo Passos, reclamou do fim do primeiro e único museu do Rio sobre a herança africana:
— A história não pode ser perdida, trancafiada.
O historiador e arquiteto João Carlos Nara também lamentou.
— O Rio de Janeiro foi a cidade que mais recebeu pessoas escravizadas da África, em toda a história da humanidade. Pessoas que tinham acabado de chegar da África e outras que já estavam alforriadas gastaram suas posses para construir esta igreja.
Fonte: O Globo
Postador por: Raul Motta Junior