Liesa afasta rumores sobre nova virada de mesa no carnaval carioca

Um dia após a apuração do Grupo Especial que terminou com Imperatriz Leopoldinense e Império Serrano rebaixados, rumores começaram a circular pela Cidade do Samba de que uma nova “virada de mesa” poderia ocorrer na Liga Independente das Escolas de Samba para livrar as duas agremiações da Série A. A informação, porém, não procede, segundo o presidente do conselho deliberativo da entidade, Fernando Horta, que não vê motivo para anular o rebaixamento das duas agremiações. Essa seria a terceira reviravolta consecutiva no carnaval carioca.

Em 2017, após o acidente com as alegorias da Unidos da Tijuca e do Paraíso do Tuiuti, a Liesa decidiu que não haveria rebaixamento, o que livrou a Tuiuti do retorno à Série A. A decisão foi comunidade antes da apuração na quarta-feira de cinzas. Já no ano passado, Império Serrano e Grande Rio foram rebaixadas pelo resultado oficial, mas escaparam graças a um acordo costurado com as demais agremiações durante uma plenária realizada na sede da Liesa.

Em junho do ano passado, o Ministério Público do Rio de Janeiro e a entidade assinaram um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta em que a liga se comprometia a não permitir que a regra que prevê o rebaixamento das últimas colocadas no Grupo Especial seja descumprida. A exceção, em caso de “força maior”, deveria ser anunciado ao público antes do início da apuração do resultado do carnaval, segundo o documento assinado pelo promotor Rodrigo Terra e o presidente da entidade que representa as escolas de samba, Jorge Castanheira. Em caso de descumprimento, a Liesa terá que pagar uma multa de R$ 750 mil.

Para Horta, que também é presidente da Unidos da Tijuca, não há motivo este ano para uma nova reviravolta após o resultado do julgamento oficial. No ano passado, para o dirigente tijucano, houve um acidente com a Grande Rio — um carro alegórico quebrou ainda na concentração e não entrou na Avenida.

— Não há ( discussão sobre uma possível virada de mesa ). É boato. Isso não vai existir. Não há motivo para isso. No ano passado houve o acidente com a Grande Rio. Foi uma situação diferente. ( Se houvesse nova virada de mesa ) o desfile ficaria enchado, cansativo. Já está pesado com sete escolas em cada dia. O ideal é termos seis agremiações por dia. Vamos marcar uma plenária, cerca de 15 dias depois do carnaval, para discutir o carnaval de 2020, os rumos, o caminho que as escolas tem que tomar — afirma Fernando Horta.

O presidente da Liesa, Jorge Castanheira, foi taxativo ao dizer que não há discussão sobre o não rebaixamento:

— Não houve nenhum tipo de movimento ou comentário nesse sentido por parte da Liga ou das escolas. E nem do presidente da Imperatriz, que já falou à imprensa sobre esse assunto.

Logo após a proclamação do resultado oficial na quarta-feira de cinzas, o presidente da Imperatriz, Luiz Pacheco Drummond, disse que respeita o resultado da apuração que resultou no rebaixamento da escola para a série A.

— Caiu, caiu. É o regulamento. Senão, daqui a pouco, teremos 30 escolas no Grupo Especial — disse Luizinho.

O GLOBO procurou a Imperatriz novamente nesta sexta-feira. A agremiação não quis se pronunciar. Por meio de sua assessoria de imprensa, informou que todos os esclarecimentos já foram dados pelo presidente da escola em entrevista após a apuração.

Procurado, o Império Serrano não quis comentar os rumores de uma nova virada de mesa.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior