Izak Dahora lança livro em que fala da magnitude artística dos desfiles das escolas de samba

As transformações pelas quais passavam seus vizinhos durante o carnaval, com suas fantasias coloridas, sempre fascinaram Izak Dahora, ator, músico e escritor que até os 12 anos morou no Porto da Pedra, bairro de São Gonçalo que abriga e empresta o seu nome a uma escola de samba. Com o tempo e muito estudo, ele entendeu que aquilo que lhe agradava aos olhos era muito mais do que uma festa anual; tratava-se de um exemplo de arte em sua mais completa forma de construção. O resultado dessa análise, Dahora publicou em sua dissertação de mestrado da Uerj em 2014 e a desmembrou no livro “Arte total brasileira — A teatralidade do Maior Show da Terra”, da Editora Cândido, que será lançado nesta terça-feira, às 19h, na Blooks Livraria, em Botafogo, no Rio.

— Quando você assiste a um desfile, percebe a interação entre teatro, dança, música, artes plásticas. Todas essas formas artísticas para contra apenas um história, e em funcionamento com a tecnologia, é arte total — explica o autor, graduado em Artes Cênicas, mestre em Artes e formado em Música. — O carnaval é produção cultural brasileira. E, muitas vezes, é feito por pessoas que não têm consciência de sua magnitude. Isso merecia um estudo. As escolas de samba tendem a ser vistas como uma arte menor, por ser de matriz popular. Para muitos é folclórico; minimizado. Meu objetivo é botar luz sobre isso e apresentar a grandiosidade desses desfiles.

O livro, que ficara pronto para o carnaval de 2018, teve o seu lançamento adiado para que mais conteúdo pudesse ser acrescentado, como a experiência do autor no desfile na Acadêmicos do Cubango ano passado, quando interpretou Bispo do Rosário, enredo da escola. A publicação analisa ainda novos moldes das agremiações, que cada vez mais se abrem para dar voz à sociedade, abordando temas polêmicos:

— Os blocos de rua se legitimaram nos últimos anos e são muito democráticos. Abrem espaço para as pessoas expressarem suas vontades. As escolas estavam engessadas, desenvolvendo enredos patrocinados. Isso afastou o público. Mas, percebendo essa mudança, e também devido à crise, elas estão se reinventando e dialogando mais com as pessoas.

A contribuição de Dahora para este carnaval é sua participação na concepção do enredo da Acadêmicos do Grande Rio, representante de Duque de Caxias no grupo de elite. O convite lhe foi feito pelos carnavalescos Renato e Márcia Lage durante as entrevistas para escrever o livro. Desafio aceito, o resultado é “Quem nunca… que atire a primeira pedra!”, que vai abordar falta de educação e desvios de conduta. No dia do desfile, domingo de carnaval, ele estará na ala da família da Grande Rio, atrás da diretoria. Mas essa experiência vai ficar para outro livro.

Fonte: O GLobo
postado por: Raul Motta Junior