Quando voltou para o Brasil, Sebastian Bierle sabia que poderia desenvolver uma solução para o destino indevido do papel. Fundou, em 2016, a Schöpf Papier, negócio social que coleta em empresas resíduos que seriam destinados ao lixo. O material é transformado em cadernetas, cartões, calendários e envelopes e comercializado sob encomendas ou por meio virtual .
Além de gerar emprego e renda, a iniciativa desenvolve produtos de valor agregado e possibilita impacto social, econômico e ambiental na Favela Júlio Otoni, onde a oficina é baseada.
O projeto une arte e educação ambiental, através de workshops sobre o ciclo do papel em escolas e empresas no Rio de Janeiro. As atividades, direcionadas para crianças, jovens e adultos, contribuem com uma nova percepção sobre consumo e relação com o meio ambiente.
Outro empreendimento com viés sustentável é a Rede Asta, que conecta artesãs de todo o país a grandes empresas para produção de brindes corporativos usando a técnica upcycling. A partir de capacitações e acompanhamentos, os grupos conseguem atender a grandes pedidos de empresas como Porto Seguro e Instituto C&A.
— Ao transformar resíduos em ativos, transformamos também artesãs em empresárias e mudamos o olhar das pessoas sobre os produtos que consomem. O que antes era fim vira um novo começo — declara Rachel Schettino, co-fundadora da Rede Asta, em Laranjeiras.
Sandra Portella aprendeu a bordar e a fazer crochê com a mãe. Durante 18 anos trabalhou em grandes empresas do comércio. Em 2006, ficou desempregada, e o que aprendeu ainda pequena se tornou renda.
— O meu sonho é ver meu trabalho reconhecido. Claro que quero ter um retorno financeiro, mas o que me encanta é ver o brilho no olhar do outro quando vê algo que eu criei — comenta a empreendedora responsável pela marca Sandra Portella: Arte em Crochê.
Nos últimos anos, a Rede Asta já intermediou o reaproveitamento de mais de 12 toneladas de resíduos . Cerca de 1.200 artesãs foram beneficiadas pelo projeto, que já gerou quase R$ 10 milhões de faturamento.
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), um terço de todo alimento produzido no mundo é desperdiçado por ano. Isso equivale a cerca de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos e, segundo a FAO, tal quantidade de comida seria suficiente para abastecer dois bilhões de pessoas.
Na contramão desta perda, o Favela Orgânica, no Morro da Babilônia , se propõe a trabalhar com o aproveitamento total dos alimentos. Baseada em uma lógica de afeto, a fim de retribuir o que a terra proporciona, Regina Tchelly fundou, em 2011, a empresa de bufês para eventos. Com cascas de legumes, sementes, raízes e talos de verduras e legumes, a paraibana de 36 anos ressignificou a culinária e a percepção sobre alimentação saudável na favela.
— Precisamos modificar nossa relação com o alimento para proporcionar melhorias para nossa comunidade, o corpo e amente — diz Regina.
O negócio oferece cursos sobre sobre alimentação em escolas e empresas. Refletindo sobre o plantio, o consumo e a compostagem, a atividade visa a conscientizar sobre o uso integral do alimento no dia a dia das pessoas, seja em casa ou em emprendimento próprio.
Delícias da Jaca
No sábado, dia 16 de fevereiro, o Favela Orgânica promove a oficina de gastronomia social “Delícias da Jaca”. A atividade acontece das 12h às 15h no Espaço Jardim da Babilônia, situado na Rua Santo Amaro 4, no Morro da Babilônia, no Leme. Informações na página no Facebook .
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior