O motorista de ônibus Severino Benedito dos Santos, de 53 anos, viralizou nas redes sociais na última semana ao ser registrado alimentando uma cadela na Avenida Brasil, nas proximidades do Cemitério do Caju. A postagem apareceu na página ” Zona Oeste Rj News “. Há 12 anos trabalhando como motorista da linha 343, que faz diariamente o trajeto entre o terminal Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, e a Candelária, no centro do Rio, Severino alimenta há um ano a cadela que apelidou carinhosamente de “pretinha”.
Sempre bem-humorado, a sua rotina como motorista começa às 4h15, quando sai da garagem, na Freguesia. Carrega sempre um pequeno saco plástico contendo ração, para alimentar pretinha e outros animais que venham a aparecer pelo caminho, além de uma pequena garrafa térmica branca com café e copos plásticos, para um morador de rua que o aguarda sempre no viaduto próximo à rodoviária. Os passageiros se admiram com o gesto de bondade e não reclamam da breve parada.
— Eu faço o mesmo caminho há muito tempo. Há um ano eu estava passando entre a passarela três e quatro na Avenida Brasil e vi a cadela, parada na calçada, sem comida e água. No outro dia saí de casa decidido a dar comida a ela. Também levei uma vasilha para colocar água, e estou aí até hoje. Parei o ônibus onde ela fica, um pouco antes do ponto, e chamei ‘ô pretinha, vem cá’ — conta o motorista.
Até mesmo nos dias de folga, faz questão de alimentar pretinha. Coloca ração no saco plástico, como de costume, e segue de carro até o ponto de encontro na Avenida Brasil, onde a cadela o espera ansiosamente, balançando o rabo.
Paraibano, do município de Sapé, Severino estudou até a quarta série, o que corresponde atualmente ao 5º ano, e interrompeu os estudos para ajudar a família. Aos 16 anos, começou a trabalhar na roça, ainda no Nordeste, e depois se mudou com a família para São Paulo. Há 20 anos, veio para o Rio em busca de emprego e conheceu Sônia, com quem se casou. Hoje mora em uma residência de dois cômodos com ela e o seu pinscher, Pitico, na Tijuquinha, comunidade do Itanhangá.
— Não tenho filhos. Meu filho é o pitico, é o meu xodó — conta, sorrindo.
Na capital fluminense, já trabalhou como vigia, mas se descobriu na profissão de motorista. Severino atribui a sua família a paixão por animais e a aptidão para a caridade.
— Esse meu cuidado vem da minha mãe, que já faleceu. Ela não podia ver uma pessoa na rua que queria ajudar, além de amar animais. Tínhamos até um papagaio. Aprendi isso com ela. Se cada um fizer um pouquinho pelo próximo, o mundo pode ser um lugar bem melhor. E a gente consegue, viu? Acho que cada um de nós tem um dom. O meu é o de ajudar.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior