Entre 5.873 candidatos brasileiros e argentinos, a niteroiense Sophia Pierre, de 10 anos, tem seu nome entre os 48 selecionados para ingressar na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil em 2019. Localizada em Joinville, em Santa Catarina, a escola é a única filial da companhia de dança fora da Rússia e oferece bolsa total para a formação em técnico de dança num curso com duração de oito anos. Sophia ganhou uma dessas bolsas. Não bastasse ter superado a concorrência de uma vaga para cada 121 candidatos, ela chamou a atenção por outro motivo: nunca havia feito balé antes de ser aprovada na primeira etapa regional do concurso, realizada em abril, o que foi possível porque a categoria em que ingressou não exigia conhecimento de movimentos, e os jurados avaliaram a capacidade individual para a dança.
— Sophia sempre demonstrou ter jeito para atividades que exigem flexibilidade. Desde pequena ficava pendurada nas coisas e dava para perceber que lavava jeito. Há dois anos ela viu umas amigas fazendo ginástica olímpica e pediu para entrar na aula, já que conseguia repetir os mesmos movimentos que elas — conta Roberta Pierre, mãe da menina.
Roberta conta que logo foi alertada para o talento da filha:
— Quando ela já estava cursando ginástica, um amigo me orientou a buscar cidades onde os atletas são mais valorizados. Ele me falou do Bolshoi e avisou que seria realizada uma etapa regional em Campinas, em São Paulo, para ingressar na escola no ano que vem. Eu a inscrevi para ver o que aconteceria.
A surpresa foi que a filha foi aprovada. Roberta, então, a colocou no estúdio de balé Denyse Gasos, em Itaipu, para que a menina confirmasse seu gosto pela dança e também para estar mais preparada na etapa nacional, realizada em outubro.
— Em um mês de balé ela me disse que queria fazer aquilo para o resto da vida. Totalmente decidida — diz Roberta, que agora tem pela frente o desafio de deixar emprego, família, amigos e a casa, em Piratininga, para trás a fim de estar ao lado da filha na busca do sonho de ser uma bailarina profissional.
Quem espera a chegada de Sophia para o início das aulas, em fevereiro, é Bernadéte Costa, coordenadora pedagógica do Bolshoi no Brasil.
— Daqui para a frente, todo o tempo que ela passar na escola será de extrema relevância para sua vida. Somos uma das maiores escolas de arte do país porque passamos o aprendizado de todas as áreas artísticas, desde costura a história da arte, aulas de música e dança — conclui a coordenadora.
Roberta, que é engenheira de produto, está em busca de um novo emprego em terras catarinenses e abriu um financiamento coletivo (vakinha.com.br/vaquinha/sophia-no-ballet-bolshoi) para quem quiser ajudar a custear a ida de Sophia para Joinville.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior