Com pouco controle, Rocinha se expande em áreas de risco

Sem uma fiscalização eficiente, o vaivém de caminhões repletos de tijolos, cimento e de outros materiais de construção tem sido constante na Rocinha. O fato de a favela ter crescido 1.265 metros quadrados horizontalmente, entre 2016 e 2017, segundo levantamento do Instituto Pereira Passos, não foi suficiente para acender o sinal de alerta nas autoridades. A expansão da comunidade continua a todo o vapor, para os lados e, principalmente, para o alto. Segundo moradores, as regiões que mais sofrem com a desocupação desordenada são a Vila Verde, o Trampolim e o Laboriaux, consideradas de médio e alto riscos de deslizamento, segundo mapa da Defesa Civil.

Nos últimos meses, o Trampolim e a Vila Verde, áreas que fazem divisa com a mata, ganharam dezenas de novas construções, algumas com até cinco andares. Operários trabalham diariamente no local, também erguendo mais pisos em imóveis já existentes. O que não se vê na região, nem no Laboriaux, outra área em expansão, são engenheiros e arquitetos do Posto de Orientação Urbanística Social (Pouso), um grupo criado pela prefeitura há mais de 20 anos para orientar construções, controlar o crescimento habitacional e impedir o desmatamento de áreas de proteção ambiental. A unidade da Rocinha se mudou em julho passado para um prédio no Leblon.

— Agora virou zorra total. O posto era quase como uma câmera de segurança, nem sempre funciona para impedir, mas pelo menos é uma tentativa e atrapalha o ato ilegal. Agora, sem nada, fica muito pior — reclama José Britz, presidente da Associação de Moradores de São Conrado.

Um morador da Rocinha, que não se identificou com medo de represálias, diz que o tráfico é outro empecilho para um um controle maior. Segundo ele, várias construções vêm sendo erguidas a mando de bandidos. O risco também acompanha o surgimento de novos imóveis: há cerca de três meses, uma ribanceira deslizou, perto do Trampolim, caindo ao lado da estação do metrô na Estrada da Gávea.

Professor da UFRJ, Alex Magalhães diz que o Laboriaux convive com o perigo:

— Se ocorrerem chuvas fortes, pode deslizar. Obras de contenção deveriam ser feitas.

Para o urbanista Canagé Vilhena, o poder público nada faz pela Rocinha.

— Tivemos o muro para evitar a expansão, o Pouso, mas nada funcionou. O poder público não fiscaliza direito e acaba promovendo ações pontuais, como a pintura de fachada anunciada pelo prefeito.

Procurado, o Instituto Pereira Passos (IPP) afirmou que o crescimento horizontal da Rocinha entre 2016 e 2017 não foi significativo e que as imagens de satélite não apontaram expansão na Vila Verde e no Trampolim, apenas no Laboriaux. Já a Secretaria de Infraestrutura e Habitação garantiu que o Pouso da Rocinha não acabou, passa apenas por uma reestruturação de pessoal.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior