A chuva não impediu que o Dia da Consciência Negra fosse festejado em diversos pontos da cidade ontem. Homenagens a Zumbi dos Palmares e Tia Ciata reuniram ativistas, líderes religiosos e pessoas que lutam pela valorização da cultura afro-brasileira e contra o preconceito.
Logo ao nascer do sol, houve queima de fogos e roda de capoeira em frente ao Monumento a Zumbi, no Centro. Em seguida, baianas entraram em cena para lavar o busto de Palmares. E o som dos atabaques também se fez presente, com o grupo cultural Afoxé Filhos de Gandhi. Presidente da associação, Carlos Kroff, o Carlinhos Afoxé, de 65 anos, afirma que a data comemorativa serve para unir brasileiros:
— O significado maior dessa festa é reforçar a mensagem da resistência sem violência.
Em Irajá, a Lona Cultural João Bosco contou com danças afro, roda de capoeira e exibição de filmes temáticos. Em Madureira, o feriado foi comemorado sob o Viaduto Negrão de Lima, com o Projeto Criolice. Apresentações como as do grupo de jongo Afrolaje reforçaram que conscientização rima com animação.
Durante à tarde, foi realizado o ensaio do bloco Estratégia, na Pedra do Sal. O evento, que também fez parte das comemorações do Dia da Consciência Negra quase terminou com confusão. Logo no início do evento, por volta das 16h, policiais militares teriam ido ao local para ordenar a retirada do toldo que protegia os participantes da chuva. Eles também pediram que o som estéreo fosse desligado. Houve um início de discussão, mas os integrantes do bloco decidiram acatar à ordem da PM e o evento seguiu.
– Como a gente estava sem apoio nenhum, resolvemos acatar. Infelizmente é uma arbitrariedade sem sentido, é um toldo – lamentou Júlio César Vieira, amigo de uma das integrantes do bloco.
Procurada, a Polícia Militar não respondeu ao GLOBO.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior