O estudo contratado pela prefeitura de Niterói à empresa Thalweg Consultoria e Projetos Geológicos sobre as áreas de risco da cidade recomendava obras de grampeamento de solo na área do Morro Boa Esperança, em Piratininga, onde ocorreu a tragédia que deixou 15 mortos no fim de semana. Parte do relatório foi divulgado nesta segunda-feira, pelo próprio município, e classificava a área do deslizamento como de risco médio, numa escala de risco muito alto, alto, médio e baixo. O custo total da intervenção, aponta a empresa, seria de R$ 343.683,61, com prazo estimado de três meses para ser realizada.
O documento, com fotos do local e croqui da obra sugerida, aponta que a orientação foi feita com base em inspeções realizadas nos dias 22 de março de 2017 e 15 de março de 2018, nas quais deixava claro o perigo de desmoronamento no local.
Além de obras de contenção, a técnica proposta costuma ser usada na construção de estradas e túneis. Basicamente, consiste numa proteção de concreto na encosta, com chumbadores ou grampos enterrados no solo.
Nesta segunda-feira, o secretário de Defesa Civil de Niterói, Walace Medeiros, havia explicado que, no estudo, a localidade da Boa Esperança foi dividida em três partes. Além do ponto onde houve o escorregamento, foram identificadas outras duas áreas consideradas de baixo risco.
A prefeitura vem argumentando que, nos último anos, realizou 70 obras de contenção de encostas na cidade, com investimentos de R$ 200 milhões. Nesse período, seriam priorizadas as áreas de maior perigo.
Às 22 famílias atingidas pelo desastre da madrugada de sábado, o prefeito Rodrigo Neves propôs o pagamento de R$ 1.002 mensais, por um período de um ano. Aprovado na manhã desta terça-feira na Câmara Municipal, o benefício custará aos cofres públicos R$ 264.528, cerca de 75% do valor da obra sugerida na comunidade e que evitaria as mortes que deixaram a cidade de luto.
Mapeamento do governo federal
Além do estudo da Thalweg, havia um outro mapeamento, realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), ligado ao Ministério de Minas e Energia, que mapeava áreas de risco de deslizamentos e inundações de Niterói e mais de 400 municípios. Pelo estudo, a comunidade da Boa Esperança compreende trechos de baixo e médio risco. O topo do morro vizinho à localidade, no entanto, é considerado de alto risco.
RISCO ANUNCIADO
Serviço Geológico do Brasil mapeou áreas de risco de Niterói
RISCO DE DESLIZAMENTO
Alto
Baixo
Aréas altamente suscetíveis a deslizamentos
500m
N
N
Ponte
Rio-Niterói
Engenhoca
Icaraí
Largo da
Batalha
Baía de
Guanabara
Charitas
MORRO DA BOA
ESPERANÇA
Santo
Antônio
Lagoa de
Piratininga
Piratininga
Camboinhas
Lago de
Itaipu
Local do acidente
Oceano
Atlântico
Serviço Geológico do Brasil – CPRM
Em toda a cidade, o mapa identifica que há 23,43 quilômetros quadrados (17,5% do território do município) classificados como de alto risco de escorregamento. Dessa área, 2,47 quilômetros quadrados são urbanizados ou edificados.
Além de Niterói, há cartas de suscetibilidade do CPRM para outras 73 cidades fluminenses, entre elas o próprio Rio de Janeiro e municípios da Região Serrana como Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior