Último estudo sobre riscos de deslizamentos em encostas do RJ é de 2012

Após uma sequência de tragédias causadas pela chuva no começo da década, como a da Região Serrana e a do Morro do Bumba, o Departamento de Recursos Minerais (DRM) do Rio fez, em 2012, uma série de cartas de risco de deslizamento de encostas nos municípios fluminenses. Foi o último estudo abrangente no estado, pelo menos a julgar pelas informações disponíveis no site da autarquia na internet. E não há referência alguma a Niterói nesses levantamentos. O DRM foi questionado nesta segunda-feira sobre se havia mapeamentos mais recentes, mas não respondeu.

Nos últimos meses, o que o departamento do governo do estado tem apresentado regularmente são relatórios técnicos com a análise da correlação de chuvas com escorregamentos eventuais. Recentemente, o órgão também realizou um estudo pontual, a pedido da prefeitura de Niterói, sobre comunidades do bairro de Jurujuba.

Já o município divulgou nesta segunda uma parte do mapeamento das áreas de risco encomendado à empresa Thalweg Engenharia e Projetos Geológicos, que está em fase final para validação pela Defesa Civil Municipal e pelo DRM. O estudo, diz a prefeitura, classifica a área do desmoronamento no Morro da Boa Esperança como de médio risco, dentro de uma escala que passa por muito alto, alto, médio e baixo. O levantamento completo, que abrange mais de dois mil pontos de Niterói, deve ser divulgado na primeira quinzena de dezembro.

— Quando houve o acidente (no Boa Esperança), nós solicitamos uma antecipação do estudo especificamente no trecho onde ocorreu o rompimento do maciço. Os dados mostram que aquela área não era listada como uma região de alto risco. Não havia nada que pudesse indicar uma fissura em um maciço rochoso, que é uma estrutura interna do terreno, não era aparente e era de difícil previsão — afirmou Walace Medeiro, secretário municipal de Defesa Civil.

O DRM divulgou, nesta segunda-feira, uma avaliação preliminar sobre a causa da tragédia no Morro da Boa Esperança. De acordo com o órgão, a magnitude do desastre, incluindo a ruptura do maciço, era difícil de ser prevista porque foi constatada, no local, “uma combinação de fraturas na rocha com infiltrações no solo e pressão da água de chuvas anteriores”.

Técnicos verificaram que se desenvolveu “uma superfície de ruptura na porção de solo que suportava o bloco rochoso”. Aproximadamente 20 mil toneladas de material se desprenderam, arrastando tudo que havia nas proximidades.

Ainda segundo a avaliação preliminar do DRM, a área do Morro da Boa Esperança permanece sob risco porque “o maciço não entrou em equilíbrio e existem blocos rochosos individualizados em condição instável”.

O departamento estadual orientou a Defesa Civil de Niterói a manter a interdição de moradias até uma nova avaliação. O órgão municipal também deve monitorar a possibilidade de evolução das trincas existentes e um eventual aparecimento de novas rachaduras. O DRM recomenda que, em caso de chuva, a remoção de escombros seja suspensa.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior