Há dois anos e meio vivendo na Ilha da Gigoia, onde já tinha morado durante seis anos, o ator Vitor Peres conta que voltou com uma ideia em mente: criar um projeto de teatro comunitário. Nasceu, assim, o Gigoia conta Gigoia, que em janeiro de 2019 completa seu primeiro aniversário. O espetáculo de estreia, que leva o nome do grupo, terá apresentação única no dia 12 de dezembro, às 20h30m, no Bar Teatro Caiçara.
— Começamos com alunos que não tinham nenhum repertório teatral. Aos poucos, fomos atraindo artistas que moravam na Ilha, como o ator Antônio Pedro Borges e o cineasta Neville D’Almeida — explica Peres, de 31 anos.
Antes de dar início ao projeto, o jovem ator, com forte vivência em teatro comunitário — integrou o grupo Nós do Morro e ministrou aulas para crianças carentes na ONG Luz dos Povos, além de ter se empenhado na matéria Teatro e Comunidade durante a licenciatura na Unirio —, precisou conquistar a confiança dos moradores da ilha. Ele acha graça ao se lembrar de questionamentos como “por que esse maluco quer fazer isso?” ou “ele está perdendo tempo!”.
— Não foi de cara que o projeto atraiu os moradores. Mas, quando começaram a frequentar as aulas, eles gostaram e continuaram voltando — conta. — Uma vez falei para um menino de 14 anos, o Davi: “Você está com fome? Depois vai ter cachorro-quente”. Ele ficou, e no fim da aula nem se lembrava mais do lanche.
Hoje, o projeto atende, gratuitamente, 20 alunos de 14 a 70 anos, alguns vindos de Rio das Pedras e outros, do Morro do Banco. Eles se reúnem nas noites de segunda e terça, por duas horas, para participar de dinâmicas e jogos teatrais. Dos encontros nasceu a peça “Gigoia conta Gigoia”, baseada em narrativas dos próprios moradores.
— Passei um ano procurando as pessoas, coletando vídeos e histórias. Quero que eles pensem sobre o seu território. Elas são parte dessa narrativa, que é construída por afetos — diz Peres.
Sauê, um dos primeiros residentes da ilha, terá sua vida narrada em “Gigoia conta Gigoia”, e será interpretado pela moradora Mariazinha, de 67 anos. Davi, por sua vez, fará a si próprio: um dos dez filhos de uma família carente.
As canções da peça também foram escritas por compositores que vivem na Gigoia, como Alan Moura — que assina a direção musical do espetáculo e ministra aulas de música para o elenco —, Mário Hermeto e Jana Figarela.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta junior
Foto: divulgação/Mariana Pereira