Alunos do ensino médio fazem ‘vaquinha’ para arrecadar dinheiro e ir a competição na Índia

Matemática, raciocínio lógico, robótica. Para uns, qualquer palavra associada às ciências exatas pode soar como um pesadelo. Já outros vão muito bem, obrigado, quando o assunto envolve números. Esse é o caso de sete amigos, que cursam o ensino médio em escolas privadas do Rio e vão representar o Brasil na QUANTA, uma competição internacional que testa o desempenho dos participantes nas áreas de cálculo, inglês e astronomia. A vasta coleção de medalhas em olimpíadas brasileiras de conhecimento foi o que credenciou os jovens para a delegação. O desafio, agora, é arrecadar fundos para custear a viagem até a Índia, onde acontecem as provas. Para isso, o grupo criou uma “vaquinha” on-line.

A meta é arrecadar R$ 70 mil até um mês antes do início da competição, que acontece de 23 a 27 de novembro, na cidade de Lucknow. Com a quantia, a equipe, denominada Return0, pretende financiar deslocamento, estadia e alimentação. Um dos membros do time, Antônio Luís Azevedo, de 17 anos, é morador de Inhaúma e estudou em escola pública até o 6º ano. Depois, conseguiu bolsa em um colégio privado em Madureira. Desde então, o jovem começou a se inscrever em competições de conhecimento e se apaixonou por matemática. Hoje, no segundo ano do ensino médio, ele ostenta dezenas de premiações, incluindo uma medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática.

“Eu costumo dizer que estamos indo de Bangu, de Duque de Caixas, de Santa Cruz para a Índia. É possível, mesmo que o nosso país seja um pouco fraco na valorização da educação”

VINICIUS LECCIOLI
Estudante
— Eu estudava num colégio municipal onde fiquei sem professor de matemática durante o ano inteiro. Com esse buraco, meus pais me incentivaram a concorrer a bolsas de escolas particulares. Quando consegui, eu descobri a Olimpíada Brasileira de Matemática e me encantei, porque percebi que era muito mais raciocínio do que decoreba — contou Antônio, que, na Índia, vai se submeter a um exame de raciocínio lógico e matemática.

Dos sete integrantes da equipe Return0, quatro vão participar de desafios de robótica. Um deles é Samuel Godinho, de 16 anos, morador de Santa Cruz. Em seu currículo, estão uma medalha de ouro e uma de prata na Olimpíada Brasileira de Astronomia, uma de ouro na Olimpíada de Geografia e uma de bronze na Olimpíada de Matemática do Rio.

— Nosso projeto envolve a construção de um barco e um robô. O barco tem que seguir em linha reta e completar uma piscina de 25 metros no menor tempo possível. Já o robô vai precisar caminhar desviando de obstáculos. A gente sente que essa conquista, de representar o nosso país internacionalmente, pode incentivar muitas pessoas a seguirem este caminho. Um grupo de alunos viajar o mundo é muito inspirador — disse Godinho, que estuda, em média, nove horas por dia, fora a escola.

O estudante Vinicius Leccioli, de 16 anos, irá participar de um quiz de ciências e um debate em inglês, durante o qual temas polêmicos serão discutidos. Ele disse esperar que o assunto seja sobre tecnologia e seu impacto na educação e na política.

— Eu costumo dizer que estamos indo de Bangu, de Duque de Caixas, de Santa Cruz para a Índia. É possível, mesmo que o nosso país seja um pouco fraco na valorização da educação — comentou.

Lucas Valente, de 18 anos, é de Bangu. Ele, que também será desafiado na área da robótica, afirmou que pensa nesta ciência como uma ferramenta que pode mudar a vida prática de um ser humano:

— Eu sempre gostei de uma ciência mais comportamental, que vê mais o ser humano. Isso está ligado intrinsecamente à robótica.

A equipe tem uma página no Facebook, chamada Return0, na qual pode ser encontrado o link para a “vaquinha” on-line: www.vakinha.com.br/ vaquinha/brasil-olimpico. Até a semana passada, o grupo tinha arrecadado pouco mais de R$ 1.800.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior