Luiza Guimarães era pesquisadora da área de ciências quando descobriu uma infecção na parte óssea do crânio de seu filho, Fernando, na época com 6 anos. O tempo passou, ele se curou e hoje é um bem-sucedido engenheiro. Daquele momento, restaram as recordações e uma série de chapas de tomografias e ressonâncias que despertaram um algo a mais em Luiza.
— Aquelas imagens me encantaram enquanto estética e eu senti que precisava fazer algo. Elas me interessaram tanto pelo aspecto conceitual de serem cérebros quanto pela estética do acetato transparente por onde a luz permeia em reflexos diversos e mutáveis conforme a iluminação que recebem— diz Luiza.
A pesquisadora que virou midiartista une arte visual, som e realidade virtual em seu trabalho. Seu projeto, Espectros Computacionais 3D 360, foi um dos dez selecionados para ser desenvolvido em imersão no projeto ArtSonica – Residência Artística, no laboratório de alta tecnologia Labsonica, do Oi Futuro, no Flamengo.
— O processo de criação está em andamento e tem duração de dois meses. Nesse período, o público pode conferir como está caminhando — conta.
Na residência artística, Luiza conta com parceria do game designer e creative coder Alberto Assumpção e do performer e coreógrafo João Silveira. Eles estão usando na instalação centenas de imagens de tomografias computadorizadas do filho dela, do próprio cérebro de Luiza e de outras pessoas que cederam seus exames. Juntos, vão sonorizar as imagens e transformá-las em uma criação eletroacústica em realidade virtual.
— A instalação arquitetônica tem um impacto de som e imagem bastante forte. Costumo dizer que é uma exposição para escutar imagens e ver sons por conta deste tipo de transformação que a sonificação permite — explica.
A obra de arte multimídia será projeta na fachada de vidro do prédio do Oi Futuro no ano que vem, em data a ser definida. Luiza vem fazendo apresentações do projeto para escolas e outros grupos interessados. A próxima será no dia 19, às 19h30m, e Luiza estará acompanhada do artista multimídia argentino Ricardo Dal Farra. A entrada é franca.
Segundo Júlio Zucca, idealizador do ArtSonica, o processo de escolha dos dez residentes foi um prazeroso aprendizado.
— Foi a primeira vez que promovemos uma seleção pública para escolher artistas. Felizmente, as pessoas entenderam nossa proposta e enviaram trabalhos sensacionais — conta ele, que já começa a pensar em preparar a seleção dos próximos dez artistas para o ano que vem.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior