Lagoa Rodrigues de Freitas exala mau cheiro na altura de Ipanema

A Lagoa Rodrigues de Freitas, na Zona Sul do Rio, amanheceu neste sábado com uma mancha esverdeada e com um cheiro forte. O problema apareceu na altura da Rua Garcia D’ávila, em Ipanema.

— Cheguei para trabalhar hoje e a Lagoa estava com essa coloração e esse cheiro ruim — afirmou José Oliveira, que trabalha vendendo coco na Lagoa.

O biólogo Mário Moscatelli afirmou que o problema é a presença da planta marítima Ruppia marítima, que surge naturalmente na lagoa. O problema é que ela cresce muito rapidamente, em especial no verão.

— Se não houver a coleta por conta da Comlurb, essas plantas morrem e fedem um bocado. Além disso consomem o oxigênio da água qdo entram em decomposição e principalmente à noite quando só respiram e não fazem fotossíntese. O protocolo que vinha sendo efetuado, fazem alguns anos, era a remoção mecânica e manual dessas plantas — afirmou o especialista.

Nesta semana, a Praia de Copacabana, na altura dos postos 5 e 6, acabou invadida or uma maré vermelha, provocada pela proliferação de algas. O tom amarronzado tirou o brilho da água e inibiu alguns banhistas que, na dúvida, preferiram ficar na areia. Mas, segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o fenômeno não representa risco à saúde.

A proliferação foi tanta que, na manhã deste sábado, foram recolhidas sete carretas de algas mortas. Cada caminhão tinha oito caçambas de lixo. Sem maré vermelha, a retirada desse tipo de detritos no local não ultrapassa a marca de duas carretas por dia.

Técnicos do Inea afirmaram que não há relação entre o fenômeno do mar com o que aconteceu na Lagoa Rodrigues de Freitas. A Secretaria municipal de Meio Ambiente não respondeu aos questionamentos da reportagem. Já a Cedae informou que o sistema de esgotamento sanitário da região está operando regularmente, sem apresentar anormalidades.

“Cabe informar que desde 2007 a Cedae reformou e modernizou todo o sistema no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, além da construção de uma galeria de cintura em tempo seco – estrutura que capta inclusive eventual esgoto lançado clandestinamente por meio das galerias de águas pluviais e o encaminha para a rede de tratamento formal da companhia”, afirmou a companhia em nota.

Ainda de acordo com a Ceade, o ecossistema Lagoa Rodrigo de Freitas é extremamente sensível a variações de temperatura, ventos e a entrada de correntes marinhas, o que pode provocar movimentação do fundo da lagoa, “bem como possibilitar variações no teor de oxigênio dissolvido, impactando na qualidade da água”, diz a nota.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior