Rio tem maior alta no calote de micro e pequenas empresas em junho

O Rio de Janeiro registrou em junho a maior alta do calote entre micro e pequenas empresas, duramente impactadas pela greve dos caminheiros. De acordo com a Serasa Experian, empresa de informações de crédito, a inadimplência desse segmento de empresas no estado registrou um crescimento de 13,6% na comparação com igual período de 2017. Mesmo com o avanço, o Rio de Janeiro ocupa a terceira posição no ranking dos estados com maior atraso de contas nesse segmento de empresas. Em primeiro na lista aparece São Paulo (33% do total), seguido por Minas Gerais (11%) e Rio de Janeiro (8,3%).

– Com o desabastecimento provocado pela greve, houve queda de vendas e veio o impacto no caixa. Quando a paralisação acabou, os produtos voltaram com preços mais altos. Foi um duplo impacto para os micro e pequenos empresários — explica Luiz Rabi, economista da Serasa Experian.

A greve foi um fator pontual para aumentar os calotes, diz Rabi. Mas com a economia crescendo em rimo mais lento, a inadimplência das micro e pequenas empresas já vinha sendo um problema. Segundo ele, o atraso de contas nesse grupo de empreendedores chegou a crescer 11% no ano passado. Depois, arrefeceu e caiu a 8,5% ao final de 2017. Agora voltou a ganhar força, com impulso extra da paralisação dos caminhoneiros.

Rabi explica que no caso do Rio de Janeiro, a situação é mais complicada por conta do impacto da crise fiscal, apresentando indicadores econômicos entre os piores do país. O economista observa que o estado ocupa a quinta posição do ranking da inadimplência entre as pessoas físicas, com 47% da população adulta com contas atrasadas, só ficando atrás dos estados do Norte: Roraima (58% da população inadimplente), Amapá (55%), Amazonas (54%) e Acre (51%), segundo dados da própria Serasa.

O desemprego no Rio também atinge níveis elevados. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado é o sétimo com maior número de desempregados e o terceiro pior em desempenho nas vendas do varejo. No Distrito Federal, as vendas no varejo caem 3%, em Goiás recuam 1% e no Rio de Janeiro, em terceiro lugar, crescem apenas 2% neste ano.

SEMESTRE TERMINA COM 5,1 MILHÕES DE PEQUENAS EMPRESAS COM CONTAS ATRASADAS

No país, o primeiro semestre terminou com 5,174 milhões de micro e pequenas empresas inadimplentes, número que é o maior já registrado desde março de 2016, quando teve início a série histórica da serasa Experian. Na comparação com junho de 2017, quando havia 4,727 milhões de pequenas empresas inadimplentes, o crescimento foi de 9,5%. Já na comparação com maio deste ano, quando havia 5,122 milhões de micro e pequenas empresas, a alta foi de 1,0%.

Mesmo com a queda da taxa de juros Selic, a situação das micro e pequenas empresas não alivia. De fato há uma redução nas despesas financeiras, mas quando se observam as taxas de juros que os bancos estão cobrando na ponta dos clientes, elas ainda permanecem em patamares elevados.

– Em 2012, quando a Selic bateu em 7%, os bancos cobravam uma taxa média de 30% nos empréstimos a pessoas jurídicas. Agora que a Selic está em 6,5%, a taxa média cobrada pelas instituições é de 40%. Os bancos absorveram em seus ganhos grande parte da queda dos juros — analisa Rabi.

Procurada, a Febraban, entidade que representa os bancos, informou que as instituições financeiras têm aproveitado a queda na taxa básica de juros, a Selic, para reduzir o custo do crédito. Nos empréstimos a pessoas jurídicas, que ainda registram índices elevados de inadimplência, o corte ficou em 10 pontos percentuais de outubro de 2016 (quando começou o ciclo de queda da taxa Selic) a junho de 2018. Os juros médios registrados nessas operações eram de 30,3%, em outubro de 2016, recuando para 20,2%, em junho passado. A queda nas taxas de juros, diz a Febraban, também foi acompanhada da redução do spread bruto bancário – a diferença entre as taxas cobradas nas concessões de crédito e as taxas de captação das instituições financeiras.

Na ponta do lápis, cada micro e pequena endividada que teve o CPNPJ negativado na Serasa tem dívidas com pelo menos 11 credores. A dívida atrasada de todas as empresas com atraso de contas (incluindo médias e grandes) atingiu R$ 124 bilhões ao final do terceiro trimestre.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior