Bares cariocas instalam torneiras para cada um tirar a própria cerveja

É uma espécie de parque de diversões para quem gosta de cerveja. Mas, em vez de escolher a fila da montanha-russa ou a do carrinho bate-bate, o visitante fica em dúvida se pressiona a torneira de uma Indian Pale Ale (IPA) ou a de uma American Larger. As estações self-service da bebida, já conhecidas nos Estados Unidos, na Europa e no Sul do Brasil, chegaram ao Rio e estão disponíveis em pelo menos três casas. A cara dos clientes diante da novidade geralmente é a mesma, e expressa surpresa e indecisão.

LEIA MAIS: Ingressos para o Mondial de la Bière já estão à venda

Rüdiger Görtz, mestre cervejeiro: ‘A cerveja é citada cinco vezes na Bíblia’

Veja como as cervejas se saíram em teste que avaliou teor alcoólico e acidez

No Brou, um misto de bar, restaurante e pizzaria que abriu há três semanas no Flamengo, o cliente recebe um cartão na entrada, um tipo de passaporte para ser encaixado em qualquer uma das 20 torneiras do paredão de cervejas. Escolheu a da vez? É só pegar um dos copos disponíveis por ali mesmo e se servir. A cobrança é feita por mililitros: quanto mais o freguês bota no copo, mais ele gasta. Não há quantidade mínima. O preço de 100ml varia entre R$ 3 e R$ 8,40.

— Sou eu que escolho? Ah, tá — disse o advogado Renato Amaral, ao ser introduzido ao sistema. — O bom é que você pode experimentar um pouquinho de cada uma e encher o copo com a que gostar mais.

Os barris ficam armazenados numa câmara fria, com temperatura variando entre zero e dois graus negativos. Semanalmente, o sommelier de cervejas Paulo Júnior renova a carta. Além do trabalho nos bastidores, ele atua na linha de frente, tirando dúvidas dos clientes e dando dicas para os não iniciados na arte de tirar o chope perfeito.

— Basta inclinar o copo a 45 graus e pressionar a torneira de uma só vez, para liberar a saída do líquido, e não da espuma — ensina João. — O colarinho fica ao gosto do freguês.

Assim que o cliente tira o cartão da torneira, fica sabendo quanto gastou pela dose. No Brou, a conta é paga na saída, como nas casas tradicionais.

CARTÃO PRÉ-PAGO PARA CHOPE

No Down Jones Market Beer, em Botafogo, a experiência é semelhante, mas o método de pagamento, não. No bar, é preciso comprar um cartão por R$ 5 e botar crédito. Só então é permitido “ir às compras”. Na casa, inspirada nos pregões do mercado financeiro, o preço do litro do chope varia de acordo com a oferta e a procura (e com o padrão da cerveja, claro), entre R$ 29 e R$ 100.

— Achei esse sistema maravilhoso. Posso beber pelo meu gosto apurado ou de acordo com meu bolso do dia. Se o meu salário saiu hoje, tiro onda de rico e bebo a cerveja mais cara. Se quero só ficar bêbado, vou na mais barata mesmo — analisava o engenheiro de produção Thiago Galvão.

No dia em que O GLOBO esteve no local, a médica Poliana Sirelli carregou R$ 100 em seu cartão para ganhar uma taça de brinde. Mas não planejava gastar tudo num só gole:

‘Achei esse sistema maravilhoso. Posso beber pelo meu gosto apurado ou de acordo com meu bolso do dia.’

– THIAGO GALVÃO
Engenheiro de produção
— A noite não promete tanto. Eu estou de folga, mas meus amigos vão trabalhar amanhã, então não ficaremos aqui até tarde. Vou guardar meu crédito para a próxima investida.

O analista do mercado financeiro Pedro Rosset faz o mesmo com o seu cartão da Vezpa Pizzas do Leblon, onde o sistema self-service de cerveja chegou há quatro meses. Ele costuma ter crédito disponível e, às sextas-feiras, quando sai do trabalho, ali na vizinhança, dá uma passadinha para tirar um chope antes de encontrar os amigos em um bar.

— Quando voltei de um intercâmbio em Madri, onde tinha esse sistema, me perguntei por que não o traziam para o Rio. Deus ouviu minhas preces — brinca Pedro, com o copo na mão.

Na Vezpa, são seis torneiras disponíveis, com 100ml da bebida custando entre R$ 3,30 a R$ 4,90. A casa oferece garrafas de dois litros — que saem a R$ 5 ou de graça, se completas —, para que os interessados possam levar a bebida para casa.

— A partir da semana que vem, além de entrega de pizza, vamos oferecer delivery de chope — conta o mestre cervejeiro André Resino.

Fonte: O Globo
Postado por: raul mottajunior
Foto: Fábio Guimarães / Agência O Globo