O Recreio ganhou no dia 29 de junho um novo Polo Gastronômico. A área abrange bares e restaurantes do entorno da Praça Drault Ernanny, nas ruas Haroldo Cavalcanti, Rogério Karp, Lúcia de Castro e Silva e Fernando Bujones. A promoção e o ordenamento da área serão incentivados pela prefeitura, que promete melhorar a iluminação e a limpeza das vias, além de adequar o trânsito e incluir o local no roteiro oficial do Rio de Janeiro.
O novo polo não é unanimidade. Enquanto alguns moradores do bairro celebram, outros reclamam da falta de diálogo na elaboração do projeto, de autoria do vereador Marcello Siciliano (PHS). Nas redes sociais, a Associação de Moradores do Recreio (Amor) fez diversos posts dizendo que há anos os residentes dos arredores reclamam do barulho causado pelos estabelecimentos da Praça Drault Ernanny.
— Não houve consulta a nenhum morador do entorno — diz a presidente da entidade, Simone Kopezynski. — E não estou falando da associação, mas sim da própria população, que nos procura para reclamar.
Morador da Rua Haroldo Cavalcanti, o economista Roberto Almeida é contrário à medida. Ele diz já ter feito 42 reclamações ao 1746 sobre o excesso de barulho nos bares em volta da praça.
— Eles nunca dão solução. Já me perguntaram em quais dias o som fica mais alto, como se fosse permitido esse alvoroço nos fins de semana. Outras vezes disseram que não havia carro da Guarda Municipal disponível — reclama.
Desde 2016, o Recreio já tem um outro polo gastronômico, no encontro da Avenida das Américas com a Estrada Vereador Alceu de Carvalho, prolongando-se pelas avenidas Alfredo Baltazar da Silveira, Pedro Moura (Avenida do Contorno) e Lucio Costa até as estradas do Pontal e Vereador Alceu de Carvalho. Alguns defensores do novo polo, como Milton Raeli, se baseiam nessa experiência anterior.
— A ideia de um bairro isolado e quieto como antigamente corresponde a um Recreio que não existe mais. O novo polo deixa a região mais viva, com ruas iluminadas e pessoas circulando — defende ele, frequentador da área.
Siciliano afirma ter feito reuniões com moradores e comerciantes antes de propor a lei e diz que a oficialização do polo não necessariamente implicará em mais barulho.
— Dialogamos com pelo menos 60 pessoas, e a prefeitura já tem canais para que qualquer abuso seja denunciado. Isso se combate com multas e cassação dos alvarás; não criando ou proibindo polos. O que queremos é divulgar mais os restaurantes e contribuir para o desenvolvimento da área — diz.
O projeto de lei que cria o Polo Gastronômico de Vargem Grande, do vereador Carlo Caiado (DEM), aguarda sanção do prefeito Marcelo Crivella. O prazo inicial era até o dia 26 de junho, mas a prefeitura diz que ele está para ser oficializado.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior